O presidente Lula (PT) ironizou a capacidade do chefe do governo dos Estados Unidos de interferir em eleições no Brasil. A fala vem depois de Donald Trump apoiar Viktor Orbán, que estava no poder na Hungria havia 16 anos, e ver o aliado sendo derrotado.
Lula foi questionado, em entrevista aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum, se tinha receio de uma intervenção dos EUA nas eleições brasileiras, quando ele concorrerá a um novo mandato como presidente da República.
"Receio eu não tenho. Eu acho que ele [Trump] me ajudaria muito se ele fizesse isso", declarou Lula. O petista mencionou o fato de o vice de Trump, J.D. Vance, ter ido ao país europeu ajudar na campanha de Orbán.
O movimento de Trump deu a Lula a possibilidade de explorar um discurso de soberania nacional, o que colocou seus opositores na defensiva.
O presidente brasileiro também afirmou, na entrevista, que tem visto notícias sobre Trump "dando palpite" em eleições em outros países e que isso é um erro e uma intromissão sem precedentes nas soberanias. Além disso, Lula criticou os movimentos do grupo político bolsonarista para obter apoio americano.
"Os meus adversários têm um filho lá, que foi pedir para o Trump intervir no país", disse Lula em referência ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. "Acho isso um erro de comportamento tanto deles pedindo quanto do Trump", declarou.
Aliados de Lula encaravam a eleição húngara como um teste para o poder de intervenção de Trump.
Além disso, o presidente brasileiro criticou Trump por ter publicado uma imagem se comparando a Jesus Cristo e deu razão ao papa Leão 14 na crítica que o pontífice fez ao americano.
No domingo, o chefe do governo dos EUA chamou o papa, que é americano e crítico da guerra no Irã, de "terrível" e "fraco".
O pontífice disse que não tem medo do governo do republicano. "Vou continuar a falar em voz alta a mensagem do Evangelho", declarou.
Comentários: