Após a virada na eleição, o presidente Lula (PT) pretende insistir na indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal), mesmo após a rejeição ao nome do advogado-geral da União em abril deste ano.
Lula enxerga no cenário político - em que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrenta a oposição bolsonarista na Casa - uma janela de oportunidade para tentar viabilizar a aprovação.
A intenção, segundo aliados, é se valer do capital político reforçado na eleição e da disputa pela presidência do Senado para reabrir as negociações e tentar reduzir a resistência de Alcolumbre.
Nem todos os colaboradores de Lula concordam com essa avaliação. Uma ala do governo tenta demovê-lo da ideia por apostar na forte resistência no Congresso, a começar pelo próprio Alcolumbre.
Lula convidou o presidente do Senado para acompanhá-lo na viagem que fará às Filipinas e à Turquia. Ele costuma iniciar essas tratativas durante as agendas internacionais. Até a noite desta quarta-feira (4), Alcolumbre não tinha confirmado presença.
Emissários do Planalto têm insistido para que ele e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), integrem a comitiva em uma demonstração de unidade institucional após a fuga do candidato derrotado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para os Estados Unidos.
Em favor da investida, Lula tem afirmado em conversas que a rejeição ao nome de Messias não foi baseada no perfil profissional dele, mas em uma conjuntura política adversa. Em abril, senadores quiseram mandar um recado ao governo e a mensagem foi recebida, na avaliação de colaboradores do presidente.
Ainda de acordo com aliados, Lula avalia que esta é a última chance de conseguir a nomeação de um nome de sua total confiança. Depois da posse dos senadores eleitos em outubro, as indicações exigirão negociação ainda maior para que sejam aprovadas, diante do expressivo crescimento da bancada do PL.
Além da má vontade dos senadores com o nome de Messias, o regimento interno proíbe que temas já rejeitados sejam colocados de novo em votação no mesmo ano (ou, no jargão do Congresso, na mesma sessão legislativa). Por isso, ainda que o presidente reenviasse o nome de Messias, a discussão não poderia ser feita em 2026.
Pessoas próximas a Alcolumbre afirmam que a indicação para o STF ainda não foi discutida após a vitória de Lula - os dois se encontraram no dia seguinte ao resultado, ao lado de Motta.
Na visão de pessoas próximas a Alcolumbre, o Senado já disse o que pensa sobre Messias e o correto, agora, é reiniciar o debate do zero.
Um cardeal do Senado afirma que a Alcolumbre enfrentará uma eleição dura contra Rogério Marinho (PL-RN) ou Tereza Cristina (PP-MS) e que insistir em Messias fortaleceria o bolsonarismo ainda mais. Por isso, na visão dele, por mais que Alcolumbre precise do governo para se reeleger, o presidente também precisa de Alcolumbre para não enfrentar um presidente do Congresso de oposição.
Aliados lembram que Lula deu provas de prestígio a Messias ao desencorajar movimentos para apresentação de outros nomes para o STF ao longo da campanha.
Durante a disputa, surgiram três articulações sobre a vaga aberta no tribunal em substituição a Messias. A primeira delas foi pela indicação do governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto.
Já no segundo turno, quando Flávio ainda liderava as pesquisas, aliados sugeriram o nome de Pacheco para que fosse aprovado no Senado antes do fim do ano. Lula desestimulou esses movimentos.
Na avaliação de uma ala do governo, esses gestos foram suficientes para demonstração de apreço a Messias e, agora, o presidente não deveria insistir em seu nome para o cargo.
Comentários: