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Laudos da PF dizem não haver cocaína na 'maior apreensão do país'

Receita Federal deflagrou operação para apreender toneladas de madeira suspeitas de carregarem cocaína

Laudos da PF dizem não haver cocaína na 'maior apreensão do país'
Divulgação/Receita Federal
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A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram à retenção de um carregamento de madeira suspeito de esconder cocaína, após laudos periciais concluírem até o momento que não havia vestígios da droga nem de qualquer outra substância ilícita na carga.

Em junho deste ano, a Receita Federal deflagrou a Operação Timber Shield ("Escudo de Madeira", em tradução livre), que reteve oito caminhões transportando cerca de 260 toneladas de madeira sob a suspeita de ocultar cocaína. A ação foi realizada em cooperação com autoridades dos Estados Unidos e com a Aduana Nacional da Bolívia.

Na avaliação inicial da Receita, havia indícios de que o carregamento poderia esconder entre 20 e 50 toneladas de cocaína. Caso esse volume fosse confirmado, a operação representaria a maior apreensão de drogas da história do país.

Cinco laudos periciais concluíram, até o momento, que não há vestígios de cocaína nem de outras substâncias ilícitas na carga. Outros exames ainda aguardam conclusão.

A Polícia Federal investiga as circunstâncias que levaram à apreensão da carga de madeira. A principal linha de apuração busca esclarecer se houve, de fato, tráfico internacional de drogas, inclusive verificando a veracidade da informação de que a madeira estaria impregnada com cocaína.

Os investigadores também pretendem identificar a origem das informações que embasaram a divulgação da suposta carga de droga, quem as forneceu e com qual finalidade, diante da ausência, até o momento, de indícios materiais de cocaína nas amostras analisadas.

Além disso, o inquérito apura a eventual prática de comunicação falsa de crime, possíveis crimes ambientais relacionados à carga de madeira e outros delitos que possam ser identificados ao longo das investigações.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, os agentes da Receita detectaram que a carga estava ingressando no Brasil, e a operação foi deflagrada nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (MT), ambas na fronteira com a Bolívia.

Segundo a Receita, uma perícia preliminar tinha resultado positivo para a presença da droga. Estimava-se que entre 10% e 20% do peso total da carga correspondia a cocaína, com base em outras investigações envolvendo o mesmo método de ocultação.

"A operação reflete a integração Brasil-EUA no combate ao crime, com troca de informações de inteligência", publicou na ocasião Durigan.

Em nota, a Receita Federal afirmou que reteve a carga de forma cautelar após receber informações de inteligência compartilhadas pelos Estados Unidos e pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico , da Bolívia, que indicavam a possível contaminação da madeira por cocaína.

Apesar disso, a apuração continua, com a expectativa de novos laudos do Instituto Nacional de Criminalística e de um inquérito instaurado pela PF para esclarecer os fatos. Os veículos já foram liberados e não houve prisões.

"A Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e definir as providências cabíveis, respeitadas as atribuições de cada instituição", disse, em nota.

"A eventual liberação da mercadoria dependerá da conclusão das análises e dos procedimentos ainda pendentes, bem como da verificação de que não existem outras irregularidades que impeçam o regular prosseguimento da operação aduaneira", acrescentou.
FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Raquel Lopes | da Folhapress)
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