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Jovem com lesão medular há 3 meses reage à polilaminina

Há seis dias, Luiz recebeu a aplicação da substância, por ordem judicial.

Jovem com lesão medular há 3 meses reage à polilaminina
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O jovem Luiz Otávio Santos Nunez, 19, que sofreu um acidente com arma de fogo em outubro de 2025 e ficou tetraplégico, abriu um novo capítulo a respeito do potencial da polilaminina, substância que agiria na regeneração de lesões medulares, ainda em fase de testes clínicos de segurança na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Ele teve uma lesão considerada muito debilitante pelos médicos, com perda de movimentos em braços e pernas e perda de sensibilidade do umbigo para baixo. Há seis dias, Luiz recebeu a aplicação da substância, por ordem judicial, em um hospital militar de Campo Grande, já passados 110 dias de seu acidente, o que fugiu ao padrão adotado nos procedimentos compassivos até aqui.

Luiz relata uma série de manifestações positivas em seu corpo após a realização do procedimento.

O grupo de pesquisa da substância, liderado pela professora doutora Tatiana Sampaio, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), havia determinado que o campo de atuação do estudo seria em lesões medulares completas -com rompimento total da atividade da medula- e dentro de uma janela terapêutica de 72 horas.

Em acordo com o laboratório Cristália, porém, tendo em vista os resultados em aplicações dadas até agora, todas com ordem judicial, os pesquisadores resolveram estender o atendimento para casos subagudos -até três meses após o trauma. Não se pretende fazer a aplicação em pessoas com lesões ocorridas além desse prazo.

"Sinto que estou fazendo força com os músculos da minha perna. É um leve movimento, mas ele não existia. Também passei a ter uma sensação de calor nas pernas. Senti o toque da mão da minha mãe no meu pé. Não tenho nenhuma dúvida, foi tudo depois da polilaminina, antes isso não existia", diz Luiz, que é militar do Exército.

Na lesão de Luiz, nas vértebras C6 e C7, é esperado movimentos parciais dos braços, sem um prazo específico para que isso aconteça. Especialistas afirmam que ainda é preciso esperar os resultados da pesquisa clínica para atestar a eficácia da substância.

Viviane Goreti Ponciano dos Santos, mãe do jovem, afirma que sabe da responsabilidade da divulgação do quadro do filho. "Somos realistas. Sabemos da gravidade da lesão dele [do filho, Luiz]. Tenho total consciência da expectativa que podemos gerar nas pessoas. Mas eu afirmo que tudo está acontecendo. Sentimos claramente uma melhora, graças a Deus e a doutora Tatiana."

"Entramos na Justiça porque era uma situação grave, com poucas alternativas reais, e havia uma possibilidade de benefício mesmo fora do prazo ideal. Não fazer nada também tem risco: é manter o paciente exatamente no mesmo cenário, sem perspectiva", afirmou o advogado da família, Gabriel Traven Nascimento

Para Traven, a questão não foi "arriscar por arriscar". "É ter coragem técnica para atuar onde quase ninguém atua, mas com método, responsabilidade e estratégia, para viabilizar uma chance ao paciente quando o caminho tradicional simplesmente não oferece resposta".

Para os testes da pesquisa clínica, na Anvisa, o recorte dos voluntários não muda. Serão cinco pessoas com lesões medulares completas e agudas, ocorridas em até 72 horas. Os pacientes deverão fazer a reabilitação em São Paulo.

Por meio de nota, o Cristália afirmou que, para casos crônicos -lesões mais antigas- está "conduzindo estudos experimentais em animais para definir como (e se) o tratamento poderá ser realizado em humanos. Até o momento, os dados disponíveis não permitem dizer que o uso em pacientes com lesões crônicas é seguro e eficaz".

O laboratório não está cadastrando pacientes com esse perfil. "Sabemos da expectativa desse público e, caso haja inclusão em estudos futuros, essa informação será divulgada oficialmente por nossos canais", diz o texto.

 

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Jairo Marques | da Folhapress)
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