O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tem conversado com aliados sobre a hipótese de se lançar à Presidência em 2026 para se contrapor a Tarcísio de Freitas (Republicanos) mesmo que o pai, Jair Bolsonaro (PL), endosse o governador para concorrer ao Palácio do Planalto.
O deputado acredita que o ex-presidente está sendo pressionado pelos partidos do centrão a apoiar o governador e que uma eventual eleição de Tarcísio enterraria o bolsonarismo como um movimento político.
Eduardo está nos Estados Unidos e não tem prazo para voltar ao Brasil, onde já foi indiciado pela Polícia Federal. Ele tentar articular uma anistia a alvos do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que acabaria incluindo a si próprio, e quer isolar o magistrado. Mesmo que não volte ao Brasil pelo temor de ser preso, tem afirmado que poderia se lançar dos EUA.
Alguns fatores dificultam o plano, sendo o principal deles o fato de haver o risco de Eduardo se tornar inelegível por ser alvo de um inquérito no STF, que apura atuação junto ao governo americano contra autoridades do Judiciário brasileiro. É neste caso que o deputado foi indicado pela PF.
Nesta quinta (28), Eduardo divulgou um ofício enviado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), pedindo para exercer sua função de parlamentar no exterior.
O deputado já tem planos de deixar o PL, sobretudo se Tarcísio migrar para o partido - possibilidade aventada por aliados do governador -, então precisaria abrigar-se em outra legenda até abril de 2026, já que isso é um pré-requisito para concorrer.
Como demonstrado nas mensagens que trocou com o pai reveladas pela PF, Eduardo é contra a candidatura de Tarcísio. Em conversa com aliados, ele avalia que uma vitória do governador Tarcísio enfraqueceria Bolsonaro.
O plano A, tem dito o deputado federal, é aprovar a anistia a bolsonaristas até abril e liberar o caminho para que o próprio pai dispute a eleição ?ou ele próprio, caso a inelegibilidade de Bolsonaro não possa ser revertida ou que o ex-presidente não queira se candidatar. Para um aliado, só faz sentido o deputado se candidatar se a anistia for aprovada. Nesse cenário, construiria uma candidatura a despeito do centrão.
Seus aliados acreditam que o racha na direita enfraqueceria consideravelmente uma candidatura do governador de São Paulo. Nesse cenário, creem, o próprio Tarcísio se recusaria a concorrer, caso não veja chances de vencer a eleição.
Em última hipótese, o parlamentar se recusaria a apoiar o governador se ele for confirmado candidato.
O deputado acredita que o pai está sob chantagem do centrão para catapultar Tarcísio como candidato à Presidência. Seria a justificativa de Eduardo para se contrapor ao pai, eventualmente.
Eduardo cogita sair do PL independentemente da decisão eleitoral do partido. O deputado se ressente do tratamento dispensado pela legenda a ele. Ele diz a aliados que recebeu pouco apoio partidário na sua investida nos EUA, mesmo sendo um dos deputados mais votados do PL.
O movimento cresceu às vésperas do julgamento do ex-presidente, marcado para começar no dia 2 de setembro.
Parlamentares e dirigentes de centro e direita veem na ação dos filhos de Bolsonaro uma tentativa de manter no clã o espólio eleitoral do pai e manter a relevância eleitoral deles próprios.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, tem adotado uma postura mais discreta. Publicamente, não critica movimentações de eventuais sucessores nem iniciativas de costuras políticas nesse sentido.
A interlocutores ele disse que não vai criticar Tarcísio, que é considerado um importante quadro do grupo político. Dos filhos, o senador é o único que mora em Brasília e, por isso, tem tido maior acesso ao pai, tornando-se o seu principal porta-voz. Cabem a ele as negociações feitas por partidos.
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