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Infantino vive crise inédita e vê clima de 'eleição antecipada'

Gianni Infantino enfrenta um cenário político cada vez mais adverso

Infantino vive crise inédita e vê clima de 'eleição antecipada'
Reprodução/Fifa
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A oito meses da eleição na qual concorrerá a mais um mandato como presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino enfrenta um cenário político cada vez mais adverso. O dirigente tem sido duramente criticado pelas confederações continentais, circunstância bastante diferente das quais enfrentou em 2019 e 2023, quando foi eleito sem concorrência.

A hegemonia construída a partir de 2016 é desafiada pela ampla rejeição à proposta, já retirada, de vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo e outras competições por meio de uma nova empresa da entidade máxima, a Fifa Forward Enterprise (FFE).

Europa, América do Norte e Ásia se opuseram praticamente em unanimidade e criticaram não somente a proposta, mas também a Fifa, o que fez o presidente ítalo-suíço desistir do plano. Em meio às críticas, o assessor principal de Infantino, Carlos Cordeiro, também se opôs à proposta e se demitiu.

Porém, mesmo após o recuo, a Uefa, que rege o futebol europeu, voltou a expressar sua reprovação e indicou ter perdido a confiança na Fifa de Infantino.

"Não podemos continuar assim com planos secretos em prazos acelerados, elaborados por indivíduos sem rosto e de benefício duvidoso para o jogo. Devemos identificar os responsáveis e responsabilizá-los", escreveu a Uefa. "Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não deve ser o fim da história. A proposta foi retirada. A tarefa de reconstruir a confiança na Fifa está apenas começando", completou a nota.

Embora a Uefa falasse pelas suas 55 associações nacionais, a federação inglesa também fez questão de publicar sua posição. "É hora de uma revisão completa e robusta da liderança e governança da Fifa para garantir que o esporte global seja gerido de forma transparente, em benefício de todas as 211 nações membros e com a administração de longo prazo do futebol em seu cerne", afirmou a FA (sigla em inglês para Associação de Futebol da Inglaterra).

Prováveis concorrentes

As articulações contra a permanência de Infantino se intensificaram, sobretudo após a rejeição à FFE, revelando uma divisão entre a cúpula da Fifa e alguns dos principais atores do futebol pelo mundo.

Diante do desgaste da atual gestão, a imprensa britânica aponta que a oposição já trabalha na consolidação de uma alternativa concreta para o pleito de 2027. O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, surge com nome fortalecido para presidir a Fifa a partir de março de 2027, segundo a rádio talkSPORT.

Outro consenso entre os europeus, segundo o The Telegraph, é o nome de Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain e da Qatar Sports Investments. Ele seria visto como o candidato com chances maiores de vencer Infantino em meio à atual crise por possuir influência e prestígio no futebol mundial.

Quem apoia Infantino

Apesar da intensa contestação no território europeu e norte-americano, Infantino não está isolado. O dirigente preserva importantes focos de resistência, como a Confederação Africana de Futebol (CAF), que desponta como um de seus pilares de apoio mais sólidos.

Durante a semana de reações à FFE, a posição da CAF foi de cautela, sem mostrar rejeição, como fizeram outras três confederações. Dias após o fim da Copa do Mundo, o presidente da confederação africana se pôs ao lado de Infantino após críticas pelo caso Balogun e pela introdução das pausas para hidratação.

Dentre as federações nacionais, as entidades das sedes da Copa do Mundo de 2022 e do próximo Mundial também expressaram apoio. A marroquina parabenizou Infantino após o recuo e afirmou que seguirá o apoiando em suas iniciativas. "A decisão [de recuar] foi sábia, pois prioriza a unidade e a coesão entre as associações-membro da Fifa", escreveu a federação marroquina.

Já a federação do Qatar afirmou que a FFE possuía ideias que mereciam ser avaliadas, além de elogiar o recuo da Fifa após a repercussão negativa do projeto. "Na Federação Catari de Futebol, reafirmamos o total apoio aos esforços contínuos do presidente Infantino para desenvolver e expandir o futebol pelo mundo", concluiu a entidade, em nota.

A Conmebol, por sua vez, até publicou uma nota a respeito do plano, mas sem tomar posição ou falar em uma possível adesão. A confederação apenas informou que pediu mais detalhes à Fifa sobre o projeto.

"A Conmebol iniciou um processo de consulta com suas Associações Membro e convocou uma reunião do Conselho com o objetivo exclusivo de analisar e avaliar a proposta, com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige", escreveu a Conmebol.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Guilherme Padin | da Folhapress)
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