O prédio que abrigava o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, desativado desde novembro após a transferência para uma nova sede, está abandonado e foi alvo de vandalismo. Além da depredação, a situação levanta preocupação pela exposição de documentos sigilosos de pessoas como laudos periciais, prontuários médicos, nome, número de RG e endereço, que deveriam estar protegidos por lei.
Localizado na rua Paschoal Luciano, esquina com a Avenida Nações Unidas, em frente ao Terminal Rodoviário, o antigo prédio do IML permanece vazio e sem qualquer tipo de vigilância. Com os portões abertos, o acesso ao interior é facilitado, o que tem contribuído para a ação de vândalos. No local, é possível constatar a retirada de portas e janelas, além de vidros quebrados e diversos materiais espalhados pelo chão em praticamente todos os ambientes. O cenário evidencia deterioração acelerada do imóvel e possível furto de estruturas.
No entanto, o aspecto mais grave da situação é a presença de documentos com informações privadas e públicas abandonados no interior do prédio. Entre os materiais encontrados estão boletins de ocorrência, laudos periciais e prontuários médicos de cadáveres submetidos a autópsias. Esses registros contêm informações sigilosas que, por norma, devem ser mantidas sob rigorosa proteção.
Além dos documentos, equipamentos ainda permanecem no imóvel. Na antiga sala de autópsia, três mesas de necropsia seguem em bom estado, assim como macacões e máscaras descartáveis utilizados nos procedimentos, que foram deixados espalhados. Em outro ambiente, há uma maca utilizada para transporte de cadáveres, também acompanhado de mais documentos.
Na câmara fria (espaço destinado à conservação de corpos antes de identificação, autópsia ou sepultamento) ainda há estruturas como suporte para maca móvel. Segundo constatado, muitos desses equipamentos aparentam estar em condições de uso, o que reforça questionamentos sobre o aproveitamento de recursos públicos. A nova sede do IML foi instalada na Avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, em uma estrutura mais moderna e ampla, situada entre o Hospital Estadual e o 4.º Batalhão de Caçadores. Apesar da mudança, o antigo prédio segue sem destinação definida, acumulando prejuízos materiais e riscos legais.
A situação evidencia possível negligência na gestão do patrimônio público e no tratamento de informações sensíveis, o que pode resultar em responsabilização dos órgãos competentes.
Questionada a respeito da situação, a Secretaria de Segurança Pública, informou por meio de nota, que “O Instituto Médico Legal está realizando uma força-tarefa para a remoção de materiais que estão no local. Após a conclusão dos trabalhos, o imóvel será entregue à seccional responsável pela região. Paralelo a isso, está em fase de análise o projeto para a demolição do prédio”.
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