O governo Lula (PT) chamou de intervenção a ida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à audiência pública realizada pelos Estados Unidos para discutir as tarifas comerciais impostas contra o Brasil. Por lá, o pré-candidato à Presidência e principal rival do petista nas eleições deste ano acusou o presidente brasileiro de usar o tarifaço a seu favor.
"O governo brasileiro repudia a intervenção do senador Flávio Bolsonaro em audiência pública realizada, nesta terça-feira (7), pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), aberta à participação do setor privado e da sociedade civil para discutir a imposição de tarifas contra o Brasil", diz a nota do governo brasileiro.
A manifestação do governo classifica a investigação americana como injusta e critica o fato de Flávio ter citado aos EUA o escândalo do caso Master sem mencionar seu envolvimento com o dono do banco, Daniel Vorcaro.
Flávio havia afirmado que a adoção de uma tarifa sobre os produtos brasileiros beneficiaria Lula na disputa eleitoral deste ano e que agora seria "o pior momento" para implantá-la. A sugestão do senador era de que a discussão em torno do tarifaço deveria ser adiada para depois das eleições brasileiras para evitar uso político.
O texto do governo brasileiro diz ainda que entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio não se posicionou de modo contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento "com claro objetivo eleitoreiro".
"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", diz a nota.
Aos EUA, Flávio justificou sua participação por ser um parlamentar brasileiro e nome proeminente da oposição.
Publicamente, ele criticou a ausência de representantes do governo do Brasil no evento e se colocou como alguém interessado em defender os interesses nacionais. Dentro do Planalto, a avaliação é de que o Brasil não deveria enviar representantes oficiais para não legitimar a investigação americana, a qual o governo Lula se opõe.
No dia 1º de junho, o escritório anunciou a conclusão da investigação que analisou diferentes temas relacionados ao país, entre eles sistemas de pagamentos, como Pix, desmatamento ilegal, big techs e corrupção, e sugeriu um novo tarifaço de 25% contra produtos brasileiros.
Após a divulgação do resultado da Seção 301, audiências acontecem em Washington para que entidades interessadas no caso possam se posicionar sobre o caso.
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