A Polícia Civil prendeu hoje a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas (RS) Paula Lopes e dois veterinários por suspeita de eutanásias sem motivo em cães e gatos resgatados.
Paula foi presa por volta das 6h desta segunda-feira na sede do instituto que leva seu nome, na zona sul de Porto Alegre. A detenção ocorreu na segunda fase da Operação Carrasco, que apura um suposto esquema de mortes de animais sem justificativa.
As investigações também apontaram uma relação direta entre a principal suspeita, que se apresentava como protetora dos animais, e veterinários que atuavam fora da Secretaria. A Polícia Civil afirma que animais resgatados eram encaminhados para eutanásia mesmo quando ainda havia possibilidade de tratamento.
Os investigadores destacam que a conduta contraria a prática clínica recomendada, já que a confirmação de cinomose depende de exame específico antes da indicação de eutanásia.
Outras medidas atingiram mais investigados e ampliaram a apuração. Três veterinários e o marido de Paula tiveram os passaportes recolhidos e ficaram impedidos de sair do país, enquanto a polícia cumpre 12 mandados de busca e apreensão, incluindo clínicas onde as eutanásias teriam ocorrido.
De acordo com a Polícia Civil, foram apreendidos telefones celulares, computadores e outras provas para a sequência das investigações. Também foi apreendido um cão debilitado sem as patas dianteiras, que era utilizado para pedidos de pix nas últimas manifestações em redes sociais.
Na chegada à delegacia, Paula negou que os procedimentos fossem desnecessários. À Rádio Gaúcha, ela disse que "não tinha eutanásias desnecessárias" e afirmou que laudos técnicos comprovariam a necessidade das intervenções.
Paula e Tainara já tinham sido indiciadas na primeira fase da Operação Carrasco. Na ocasião, a polícia disse ter identificado que ao menos 498 animais foram mortos em oito meses durante a administração de Paula na secretaria, em um volume que os investigadores classificaram como desmedido e que motivou o avanço da investigação.
A Justiça determinou bloqueio de contas e restrições a atividades ligadas à ex-secretária. A decisão inclui a suspensão de perfis de Paula em redes sociais e de um podcast feito por ela, além da nomeação de um interventor para o Instituto Paula Lopes após avaliação dos animais.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul informou que vai pedir cópia do inquérito para apurar o caso. Em nota, a Prefeitura de Canoas disse que Paula foi exonerada em julho de 2025 e que o município colabora com as investigações, destacando que parte dos fatos apurados envolveria atuação particular ligada a uma entidade privada.
- abandono em vias públicas ou imóveis vazios;
- agressão física, espancamento ou mutilação;
- manter o animal preso a correntes curtas;
- privação de alimento, água potável ou abrigo;
- negligência de assistência veterinária quando o animal está doente ou ferido.
Como denunciar
Procure reunir provas, como fotos, vídeos, datas, horários e o endereço do local, o que pode ajudar na investigação. A denúncia pode ser feita pelos seguintes canais:
- Polícia Militar - 190, em casos de flagrante;
- Disque Denúncia - 181, disponível em grande parte do país;
- Delegacias especializadas, como delegacias de meio ambiente ou proteção animal.
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