Os bombeiros localizaram na manhã deste domingo (13) o corpo de uma menina de sete anos, aumentando para seis o número de mortos no desabamento de um prédio sobre uma casa, na Penha, zona leste de São Paulo. Segundo a Prefeitura de São Paulo, o prédio estava irregular.
O corpo foi retirado do local no início da tarde e as buscas foram finalizadas.
A edificação ruiu por volta das 2h de sábado (12) na rua Tequici. Os escombros atingiram uma residência vizinha, em que morava uma família de imigrantes bolivianos. Além de casa, o imóvel também abrigava a oficina de costura em que eles trabalhavam.
As vítimas viviam havia nove anos no Brasil, segundo a polícia. Patrícia Veiga, advogada do Consulado da Bolívia, afirmou que o órgão está tentando viabilizar o transporte das vítimas para a cidade de Oruro, na Bolívia.
"Esse foi o pedido da família. Eles tinham se mudado para a casa havia um mês. Nós acreditamos que não foi um acidente, e sim um homicídio. As condições daquele prédio eram muito precárias", diz.
A operação de resgate durou mais de 24 horas e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.
Um homem e uma menina de 5 anos foram resgatados com vida. Eles tiveram ferimentos leves, entre contusões e escoriações.
A Polícia Civil também prendeu neste domingo Ronaldo Vivacqua. Segundo a polícia, ele seria um "sócio oculto" da New Home Construtora, responsável pela obra do prédio.
Adelmo Silva, advogado da New Home e dos três investigados, afirma que uma decisão judicial autorizava as obras da edificação. Ele ainda diz que o casal vai se apresentar à polícia nos próximos dias.
Segundo a polícia, a construtora não cumpriu um alvará da prefeitura que previa a demolição do prédio para a construção de uma nova edificação no local.
As causas do desabamento ainda serão investigadas a partir da perícia.
Segundo a prefeitura, a construção começou em 2019 e foi interditada, após a gestão municipal detectar problemas na estrutura. Como a construtora não interrompeu a obra, mesmo após diversas multas, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial, em 2021, para suspensão imediata dos trabalhos no local.
"Quando esse alvará foi dado pela prefeitura, o prédio tinha cinco andares, e não nove andares como estava antes de desabar. Havia um processo judicial que pediu a demolição e, nesse alvará, havia essa condicionante de demolição para a construção de um novo prédio", diz a delegada Deidiene Prado.
O advogado da construtora afirma que uma decisão judicial de março de 2025 autorizava a continuidade das obras no prédio que desabou e que vai apresentar a decisão à polícia.
Silva afirma que a obra do prédio estava parada por falta de recursos financeiros e que o desabamento pode estar relacionada a uma outra obra que ocorria na rua de trás ao prédio. "As investigações e perícias vão esclarecer o que aconteceu."
Servidora que vistoriou obra foi afastada
"Ela não pode continuar no cargo nesse momento para não atrapalhar a nossa investigação interna. Nós também já estamos com a Polícia Civil para haver uma investigação criminal a respeito disso e entendermos o que aconteceu", disse o controlador-geral do Município, Daniel Falcão, na noite de sábado.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), técnicos da prefeitura verificaram, junto a vizinhos e por meio de imagens de satélite, que a demolição da edificação não foi feita. O nome da servidora não foi divulgado.
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