A Raízen informou que ampliou a adesão de credores ao seu plano de recuperação extrajudicial, elevando o apoio de 75,45% para 80,15% dos créditos incluídos na reestruturação. A companhia, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país e distribuidora de combustíveis, busca reorganizar uma dívida de R$ 64,7 bilhões e restabelecer sua capacidade financeira para os próximos anos.
Segundo a empresa, o aumento da adesão reforça a confiança dos credores na proposta de reestruturação, considerada fundamental para enfrentar as necessidades de liquidez de curto e médio prazo e construir uma estrutura de capital mais sustentável.
A situação atual marca um dos momentos mais desafiadores da trajetória da companhia. Criada em 2011 a partir de uma parceria entre a Cosan e a Shell, a Raízen se consolidou como uma gigante do setor sucroenergético, mas passou a enfrentar dificuldades após um ciclo de expansão acelerada e investimentos bilionários em novas tecnologias de produção de energia renovável.
Nos últimos anos, a empresa investiu fortemente no etanol de segunda geração (E2G), produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar, além de projetos ligados ao biogás e ao combustível sustentável de aviação. Embora sejam vistos como apostas promissoras para a transição energética, esses projetos exigiram grandes aportes financeiros e ainda não alcançaram a escala inicialmente prevista.
A situação foi agravada por geadas, secas e queimadas que afetaram a produção agrícola, além da queda dos preços internacionais do açúcar e do crescimento da concorrência de outros combustíveis renováveis, como o etanol de milho.
Para reforçar o caixa, a Raízen iniciou um programa de venda de ativos e prevê mudanças em sua estrutura de negócios. O plano de recuperação inclui aportes dos acionistas, renegociação de dívidas e a separação das operações em duas divisões: energia e combustíveis.
Apesar das dificuldades, analistas avaliam que a empresa ainda possui potencial para se beneficiar do crescimento da demanda por combustíveis de menor emissão de carbono, especialmente com o avanço de políticas voltadas à transição energética no Brasil e no exterior. Contudo, a recuperação dependerá da capacidade da companhia de equilibrar sua situação financeira e transformar seus investimentos em resultados sustentáveis.
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