A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu nesta terça-feira (27) a comercialização, importação, propaganda e uso da fita 9D White Teeth Whitening Strips para clareamento dental. Também foi determinada a apreensão dos lotes disponíveis no mercado.
Responsável pelo produto, a VM Global Trade não possui autorização de funcionamento para atuar na área, informa a Anvisa. A empresa não foi localizada pela reportagem.
O produto 9D White Teeth também não está regularizado na agência, mas ainda assim foi importado e comercializado no país.
O cirurgião-dentista Flávio Pinheiro, mestre em ciências cirúrgicas pela Faculdade de Medicina da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), afirma que, por não ser regulado pela Anvisa, o produto não passou por avaliação de segurança ou eficácia no Brasil, o que representa riscos à saúde do consumidor.
Pinheiro explica que, quando regularizadas, essas fitas costumam ter ação superficial, geralmente sem peróxidos ou com concentrações muito baixas, e não podem prometer resultados semelhantes aos do clareamento realizado em consultório odontológico.
O especialista ressalta que o problema não é o formato do produto em si, mas a falta de regularização, como no caso da fita 9D White Teeth Whitening Strips. Por se tratar de substâncias que entram em contato direto com os dentes e a gengiva, o uso de produtos não regulados pode causar queimaduras gengivais, aumento da sensibilidade e desgaste do esmalte.
A cirurgiã-dentista Aléxia Homem Nunes, pesquisadora do grupo de trabalho de saúde bucal coletiva da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), afirma que a principal preocupação em relação às fitas clareadoras é a popularização e a comercialização indiscriminada desses produtos, especialmente quando associadas a promessas de resultados rápidos e eficazes.
"Como muitas vezes não há informação clara sobre a concentração dos componentes, as pessoas acabam repetindo o uso na tentativa de obter um efeito maior, o que amplia os riscos", explica.
Nunes chama atenção para o fato de que muitas alterações de cor podem ser resolvidas apenas com limpeza profissional, especialmente nos casos de pigmentação extrínseca. Por isso, a recomendação é que a população procure a unidade de saúde e passe por avaliação odontológica antes de recorrer a produtos vendidos pela internet.
"O uso indiscriminado desses clareadores, especialmente quando não são regularizados, coloca a saúde bucal das pessoas em risco e pode levar a tratamentos desnecessários", afirma.
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