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Acidente com vice-prefeito escala crise em prefeitura de SC

Jair Júnior foi hospitalizado com fraturas expostas após acidente

Acidente com vice-prefeito escala crise em prefeitura de SC
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A perseguição policial que culminou no acidente de carro com o vice-prefeito de Lages, Jair Júnior (sem partido), na quinta-feira (21), marcou um novo capítulo na crise política que atinge o maior município da serra catarinense.

Jair Júnior, que foi hospitalizado com fraturas expostas, bateu a BMW que dirigia em um caminhão na BR-116. Ele era alvo de um mandado de prisão por lesão corporal, cárcere privado, constrangimento ilegal e perseguição contra uma ex-companheira.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, que ajuizou a ação contra o vice-prefeito, ele sofreu o acidente enquanto tentava fugir de agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) que cumpriam o mandado judicial.

Já a defesa do vice-prefeito nega que ele tenha tentado fugir e afirma que não tinha conhecimento da ordem de prisão. Segundo os advogados, Jair achava que estava sendo perseguido por um carro.

O advogado Guilherme Ramos informou ainda que irá pedir um habeas corpus para revogar a prisão preventiva (sem prazo). Questionado sobre a condenação por violência doméstica, ele não respondeu.

A defesa disse que o vice-prefeito deve passar por um novo procedimento médico nesta terça-feira (26) para colocar um implante de platina no fêmur e também seguirá tratamento para um pneumotórax (acúmulo de ar entre o pulmão e a parede do tórax) após uma perfuração no pulmão. Ele também precisou passar por uma cirurgia na patela do joelho esquerdo.

Apesar do quadro, está lúcido e a previsão de alta é para o próximo domingo (31). O condutor do caminhão não se feriu.

Além da acusação de violência, o vice-prefeito também responde a um processo por danos ao patrimônio público pela suspeita de ter colocado pregos nos pneus do carro oficial utilizado pela prefeita Carmen Zanotto (Republicanos), com quem rompeu politicamente no início do mandato.

A reportagem procurou a prefeitura de Lages por email na manhã desta segunda-feira (25) e novamente por email e telefone durante a tarde, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A condenação ocorre pouco mais de um ano após a prisão de Jair em flagrante por violência doméstica contra sua então namorada no dia 22 de março de 2025. Ele foi liberado após audiência de custódia e pagamento de fiança de cinco salários mínimos.

À época, em vídeo divulgado nas redes sociais após ser solto, o vice-prefeito não abordou diretamente a denúncia, mas fez menção ao episódio. "Tive um relacionamento com vários erros de ambas as partes com a minha ex-namorada. Como homem, estou errado por ter deixado as coisas chegarem a esse nível", disse.

Depois disso, Jair foi exonerado do cargo de diretor-presidente da Semasa (Secretaria Municipal de Águas e Saneamento), função que conciliava com a vice-prefeitura.

"Como prefeita de Lages e, acima de tudo, como mulher, tenho o compromisso inegociável de combater qualquer forma de violência ou desrespeito às mulheres", disse, na ocasião, a prefeita em comunicado publicado nas redes sociais.

Conforme a investigação, Jair foi a única pessoa que se aproximou do veículo no dia em que os danos foram causados, conforme registros das câmeras internas da prefeitura.

O diretório do Podemos em Santa Catarina informou, em nota, que ele foi desligado do partido no dia 22 de abril de 2025 por decisão unânime da executiva estadual, "em razão de fortes evidências de que o mesmo havia cometido atos graves de violência doméstica contra uma mulher".

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Carlos Villela | da Folhapress)
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