O Cemit (Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões) informou nesta sexta-feira (30) que um tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) foi provavelmente o responsável pelo ataque que matou um adolescente de 13 anos na praia Del Chifre, em Olinda (PE).
O adolescente mordido chegou a ser levado para o hospital Tricentenário, em Olinda, mas não resistiu e morreu.
A conclusão foi obtida após análise técnica do ferimento, que apresentou uma lesão de 33 centímetros de diâmetro na coxa direita da vítima. Segundo o Cemit, o padrão da mordida indica que o animal envolvido tinha entre 3 e 3,5 metros de comprimento, compatível com indivíduos adultos da espécie.
O litoral pernambucano tem 82 casos registrado de ataques de tubarão desde 1992, sendo seis em Olinda, todos na praia Del Chifre.
O professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco, Marcelo Nóbrega afirmou à Folha de S.Paulo que os ataques registrados em Del Chifre e em praias do Recife e de Jaboatão dos Guararapes costumam envolver duas espécies de grande porte: o tubarão-cabeça-chata e o tubarão-tigre, que são animais de hábitos costeiros, que se aproximam com frequência da faixa de areia.
Nóbrega explicou que a praia Del Chifre reúne fatores ambientais que aumentam o risco de incidentes. A praia recebe grande aporte de água doce dos rios Capibaribe e Beberibe, além de lixo e poluição, o que torna a água turva.
"Essa combinação faz com que os tubarões, ao se aproximarem, confundam estímulos visuais e acabem mordendo pessoas", afirmou, ressaltando que os humanos não fazem parte da cadeia alimentar dos tubarões.
"Relatórios indicam que fêmeas do tubarão-cabeça-chata se aproximam dessa região para ter seus filhotes, especialmente em áreas de desembocadura de rios, que historicamente eram ambientes muito ricos em vida marinha", complementou.
Conforme o Cemit, a praia de Del Chifre possui quatro placas que sinalizam o risco de alerta de ataque de tubarão.
Na praia, é proibida a prática de surfe e esportes náuticos. Também há alerta para evitar banho de mar. A nota não esclarece se havia monitoramento de agentes no local.
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