Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmam que ele está decidido a manter em sua chapa à reeleição o vice Felício Ramuth (PSD), apesar da pressão do PL pela vaga.
Ainda é preciso definir, porém, se Ramuth permanece no PSD, já que o presidente do partido, Gilberto Kassab -que também é secretário de Governo- manifestou interesse pela posição.
Interlocutores dos dois afirmam que, por ter sido preterido pelo governador, Kassab pode se recusar a conceder a legenda para que Ramuth seja o vice novamente.
Segundo aliados, Tarcísio e Kassab devem conversar nos próximos dias para definir se o PSD permanecerá com a vaga de vice da chapa, com a premissa de que Ramuth siga no cargo.
Se deixar o partido, o destino mais provável do vice-governador será o MDB, que compõe o arco de alianças de Tarcísio e não tem pré-candidato próprio ao Senado. Se esse for o caso, o governador deve participar da articulação para a filiação de Ramuth a uma nova sigla.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, a relação de Tarcísio e Kassab também ficou estremecida por causa, entre outros motivos, da atuação partidária do secretário.
Ramuth é investigado por suposta lavagem de dinheiro em Andorra, como revelou o site Metrópoles em fevereiro. Ele nega qualquer irregularidade e afirma ter prestado todos os esclarecimentos às autoridades do país.
Integrantes da base especularam que o vazamento da notícia pudesse ter partido de Kassab, para minar as chances do correligionário de continuar na vice. À reportagem, o presidente do PSD negou ter envolvimento com o episódio e lamentou "o baixíssimo nível das intrigas".
A vice é especialmente importante porque a expectativa é de que Tarcísio se lance à Presidência em 2030 -logo, o número 2 assumiria o governo no mínimo seis meses antes da eleição, segundo o prazo de desincompatibilização, e seria o candidato natural ao cargo.
Aliados de Tarcísio explicam a decisão de manter o mesmo vice na chapa com a famosa expressão popular: "em time que está ganhando não se mexe".
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também vinha pressionando para que Tarcísio aceitasse na vaga seu afilhado político, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado André do Prado (PL).
Integrantes do partido dizem que Tarcísio faz uma escolha "segura" ao se decidir por Ramuth e preterir André, que tem grande influência sobre o Legislativo paulista.
No fim daquele mês, após encontro com Tarcísio, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, afirmou que o governador seria responsável por escolher o próprio vice. Interlocutores têm dito que essa é uma decisão pessoal, que não pode ser tomada por terceiros.
Na semana passada, Valdemar e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), autoexilado nos Estados Unidos, se encontraram em Dallas, no estado do Texas. Segundo aliados de Eduardo, os dois trataram da eleição em São Paulo e o presidente do PL pediu o apoio do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para emplacar André na chapa de Tarcísio.
Em 2026, duas das três cadeiras de cada estado estarão em disputa -ou seja, serão eleitos para a Casa os dois mais votados.
Segundo acordo antigo dos partidos da base de Tarcísio, o governador teria direito a indicar um nome para concorrer a uma das vagas -o escolhido seria seu ex-secretário de Segurança, o deputado federal Guilherme Derrite (PP). A outra seria de Eduardo Bolsonaro.
Segundo interlocutores, ele tende agora a trabalhar pelo nome do deputado federal Mario Frias (PL), desafeto da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O preferido de Jair Bolsonaro para a missão, porém, seria o coronel Mello Araújo (PL), vice do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
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