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Eleições 2026

Sanders e 30 deputados dos EUA citam interferência nas eleições

O senador independente Bernie Sanders

Sanders e 30 deputados dos EUA citam interferência nas eleições
Reprodução/New Yorker
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O senador independente Bernie Sanders e 30 deputados democratas cobraram do governo Donald Trump explicações sobre ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil que, segundo os congressistas, levantam preocupações sobre uma possível interferência na eleição presidencial brasileira de outubro.

Os temas apresentados ao Departamento de Estado vêm sendo discutidos há meses por organizações da sociedade civil brasileira em diálogo com instituições e interlocutores nos Estados Unidos e é um resultado de uma articulação que recebeu o apoio do CEPR (sigla em inglês para Centro de Pesquisa de Política Econômica) e Washington Brazil Office.

O documento foi uma iniciativa da deputada Delia Ramirez e tem como signatários Pramila Jayapal e Chuy Garcia. No documento enviado ao secretário de Estado, Marco Rubio, os parlamentares afirmam estar preocupados com o que descrevem como uma atuação coordenada da administração Trump para pressionar autoridades brasileiras e influenciar o ambiente político do país às vésperas da votação.

"As ações mais recentes da administração apontam para uma aparente tentativa de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro", diz um trecho da carta.

Um relatório reservado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sobre "ameaças ao processo eleitoral de 2026" elevou a possibilidade de influência e interferência externa dos EUA nas eleições brasileiras a um "nível de criticidade". Nesta quarta, a campanha do Lula acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) e TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por possível interferência dos EUA nas eleições.

Entre os signatários estão integrantes de comissões importantes da Câmara. Por exemplo, Jayapal e Jonathan Jackson fazem parte da Comissão de Relações Exteriores, enquanto Greg Casar e Maxwell Frost integram a Comissão de Supervisão, responsável por fiscalizar a atuação do Executivo.

Caso os democratas conquistem a maioria da Câmara, nas eleições legislativas em novembro, integrantes dessas comissões poderiam ampliar a fiscalização da política do governo Trump para o Brasil por meio de audiências e investigações. Uma nova maioria também passaria a controlar as comissões da Casa e poderia buscar impor condições ao uso de recursos destinados a programas de política externa por meio do processo orçamentário.

Jayapal, em entrevista à Folha em agosto, já tinha declarado enxergar uma tentativa de Trump interferir na eleição do Brasil e avisado que democratas agiriam. Também integra a lista de signatários a democrata Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC. Considerada ícone democrata dos EUA e um dos nomes cotados para concorrer à presidência em 2028, AOC esteve com Lula em uma viagem ao Brasil, em 2023.

Sanders, que também assina a carta, visitou o petista nesta semana às margens da Assembleia Geral da ONU. No encontro, Sanders perguntou sobre a possibilidade real de interferência nas eleições no Brasil. Segundo auxiliares, Lula teria dito que o governo está vigilante, mas que não acredita que haverá interferência.

Os congressistas citam uma série de episódios ocorridos desde o início do segundo mandato de Trump e afirmam que as ações mais recentes apontam para uma "aparente tentativa de interferir" na eleição brasileira. Entre os casos mencionados estão sanções contra autoridades brasileiras, medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos e a relação do governo Trump com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A carta destaca ainda o encontro entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, realizado na Casa Branca. O documento afirma que Flávio pediu durante a reunião que os Estados Unidos classificassem o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas estrangeiras. Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou a inclusão das duas facções na lista americana.

O grupo também questiona uma tentativa de visita ao Brasil de integrantes do Departamento de Estado que, segundo reportagens citadas no documento, planejavam levantar dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro. A delegação acabou impedida de entrar no país, e posteriormente o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington. Os congressistas descrevem a medida como uma escalada incomum na relação entre os dois países.

Em nota divulgada em agosto, após a decisão de revogar o visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, o Departamento de Estado afirmou que respeitaria a escolha feita pelo povo brasileiro por meio de eleições "livres e justas". "Nós respeitamos e mantivemos relações com governos dos dois lados do espectro político brasileiro e tivemos relações muito bem-sucedidas com eles", disse a pasta na ocasião.

Além da questão eleitoral, a carta cobra explicações sobre a política de sanções adotada contra o Brasil. Os parlamentares pedem ao Departamento de Estado detalhes sobre os critérios usados para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sob a Lei Global Magnitsky, e sobre a metodologia utilizada pelo governo americano para analisar pedidos de sanções apresentados por estrangeiros.

Também querem saber quais foram os fundamentos para a designação de PCC e CV como organizações terroristas e qual foi a justificativa para a revogação do visto da representante diplomática brasileira nos Estados Unidos.

A carta também menciona o apoio americano às instituições brasileiras após os ataques de 8 de janeiro de 2023. Agora, porém, afirmam que Washington vive uma "realidade fundamentalmente diferente" e acusam o governo Trump de agir como um "agente de interferência e desestabilização", por meio de pressão diplomática, econômica e política sobre o Brasil.

A carta diz ainda que o caso brasileiro faria parte de um "padrão mais amplo e profundamente preocupante de interferência" em processos eleitorais na América Latina, com risco de "erodir progressivamente a confiança" nas instituições democráticas da região. Os parlamentares deram ao Departamento de Estado prazo até 1º de outubro para responder às sete perguntas.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Isabella Menon | da Folhapress)
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