O Brasil registrou crescimento no número de empresas em 2024, mas o salário médio permaneceu praticamente estável, segundo dados do IBGE divulgados nessa quinta-feira (25). Enquanto o país ganhou novas organizações e ampliou o total de trabalhadores, a renda se mantém concentrada em grandes empresas, setores específicos e trabalhadores com nível superior.
Na comparação mais ampla, entre 2022 e 2024, o crescimento acumulado de empresas foi de 12,5%, com aumento de 9,4 milhões para 10,6 milhões de unidades, o que representa 1,2 milhão de novas organizações no período. Entre os setores que mais contribuíram para essa alta estão Saúde humana e serviços sociais (aproximadamente 177,7 mil novas entidades), Atividades profissionais, científicas e técnicas (174,0 mil) e Comércio e reparação de veículos (166,7 mil).
Concentração de salários mais altos
As atividades com maiores salários médios mensais foram Organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais (R$ 9.678,61), Eletricidade e gás (R$ 8.539,07) e Atividades financeiras e de seguros (R$ 8.430,55). Apesar dos altos valores, esses três segmentos somam apenas 2,6% dos trabalhadores assalariados do país. A média geral ficou em R$ 3.932,45.
Setores com maior presença
O setor de Comércio e reparação de veículos liderou em número de empresas, com 27,4% do total. Em seguida aparecem Atividades administrativas e serviços (10,1%) e Atividades profissionais e técnicas (9,0%).
No emprego total, o comércio também aparece na primeira posição, com 20%, seguido pela indústria de transformação (13,4%) e administração pública (12,9%). Entre os trabalhadores assalariados, o comércio mantém a liderança com 18,2%, seguido da administração pública (16,2%) e da indústria (15,3%).
Quando o critério é massa salarial, a administração pública ocupa o primeiro lugar (23,0%), seguida da indústria de transformação (16,1%) e do comércio (13,0%).
Empresas grandes pagam mais
A estrutura empresarial brasileira continua fortemente concentrada em pequenos negócios. Em 2024, 93,4% das organizações tinham até 9 empregados. Apenas 0,2% tinham 250 ou mais trabalhadores.
Diferenças de renda
O levantamento também mostra diferença de renda entre homens e mulheres. O salário médio masculino foi de R$ 4.206,00, enquanto o feminino ficou em R$ 3.608,04.
A diferença também aparece na escolaridade. Trabalhadores com nível superior receberam, em média, R$ 7.776,59, cerca de três vezes mais do que os que não tinham graduação, cuja média foi de R$ 2.742,41.
SP concentra renda
A região Sudeste manteve a maior concentração econômica do país, reunindo 49% dos trabalhadores e mais da metade da massa salarial nacional (52,3%), além de 51,4% das unidades locais.
Na sequência aparecem Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte, com menores participações em empresas, emprego e massa salarial.
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