Após quase seis meses de desabastecimento, o Rivotril (clonazepam) na versão em gotas de 2,5/mg está voltando às prateleiras de farmácias no Brasil. A informação foi checada pela reportagem junto às principais redes do país e confirmada pela Biopas Brasil Produtos Farmacêuticos, responsável pela comercialização do medicamento, que afirma ter retomado a distribuição após a conclusão de atualizações na planta fabril da Itália.
A versão sublingual de 0,25 mg, porém, que também esteve em falta nas farmácias, ainda não voltou ao mercado. Segundo a Biopas, o produto está nas etapas finais do processo de transição da planta fabril para a Espanha, com previsão de retomada ainda no primeiro semestre de 2026.
A interrupção no abastecimento ocorreu em meio à transferência da produção para as novas unidades industriais na Europa. À época, a Biopas havia informado que a distribuição da versão em gotas seria regularizada ainda em 2025, enquanto a apresentação sublingual retornaria no primeiro semestre de 2026.
O Rivotril é amplamente utilizado para tratar diversas condições, incluindo transtornos de ansiedade e de pânico, síndromes psicóticas, crises epilépticas, espasmos infantis (síndrome de West), pernas inquietas, problemas de equilíbrio, síndrome da boca ardente e vertigem, conforme detalhado na bula.
Segundo a Biopas, a solução oral passa por um processo de distribuição gradual nas redes de farmácia, conforme a logística de cada região.
Durante o período de falta da solução oral, a empresa afirma que a versão de 2 mg em comprimidos permaneceu disponível no mercado e pôde ser utilizado como alternativa, desde que com orientação médica.
Sobre o sublingual, a empresa diz que o medicamento não foi descontinuado, apesar de informações que circularam entre pacientes e médicos nas redes sociais.
Mesmo com a retomada da distribuição, a presença do medicamento ainda é irregular nas farmácias.
Para a consulta, foi utilizado o CEP de um órgão público de cada uma das 26 capitais, além do Distrito Federal.
Nos sistemas da Droga Raia e da Drogasil, o Rivotril em gotas não foi encontrado em Boa Vista e Florianópolis. No sistema da Drogaria São Paulo, nas cidades em que a rede atua, o medicamento não foi localizado em João Pessoa e Maceió. Já na rede Pague Menos, a versão aparece disponível em todas as capitais e no Distrito Federal.
A reportagem também visitou unidades físicas de farmácias na capital paulista. Em uma loja da Drogasil, funcionários informaram que havia estoque tanto da versão em gotas quanto da sublingual. Já em uma unidade da Drogaria São Paulo, apenas a solução oral estava disponível --não havia comprimidos sublinguais em nenhuma dosagem.
Diferença entre medicamento de referência e o genérico
Especialistas explicam as diferenças que os pacientes podem sentir entre um medicamento de referência e suas versões genéricas.
Segundo Alves, é recomendável que o paciente evite alternar entre diferentes marcas ao longo do tratamento.
"Quando há a necessidade de trocar do original para o genérico ou para um similar, recomendo escolher uma única marca e continuar comprando os produtos desse mesmo laboratório. Isso é importante porque ficar variando entre eles pode afetar a eficácia e a tolerância do paciente", disse.
Débora de Carvalho, gerente de farmácia do Hospital Sírio-Libanês, afirmou que há certo preconceito em relação aos genéricos entre alguns pacientes.
"Muitas vezes, quando um paciente recebe um genérico, parte do pressuposto de que ele não possui a mesma qualidade do medicamento de referência, o que nem sempre é verdade", disse.
"Existem algumas percepções que vêm do próprio usuário. Quando a pessoa usa regularmente uma marca específica, seja ela genérica ou similar, pode acabar percebendo diferenças, mas muitas vezes essa sensação é fruto da própria percepção do paciente", disse.
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