“Prefiro desaparecer. Quero descansar porque não aguento mais.” A frase foi dita por Noelia Castillo Ramos em entrevista à TV espanhola meses antes de morrer por eutanásia, aos 25 anos, na quinta-feira (26), em um centro sociossanitário de Sant Pere de Ribes, na província de Barcelona.
Tetraplégica desde 2022 após uma tentativa de suicídio relacionada a uma agressão sexual em grupo, Noelia vivia com dores neuropáticas intensas, incontinência e limitações permanentes. Desde os 13 anos, fazia tratamento psiquiátrico. Tinha diagnóstico de transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de personalidade borderline, além de histórico de internações e outras tentativas de suicídio.
Disputa judicial
O pedido de eutanásia foi apresentado em abril de 2024 e aprovado por unanimidade, em julho, pela Comissão de Garantia e Avaliação da Catalunha. À época, o colegiado concluiu que ela tinha plena consciência da decisão e enfrentava sofrimento “grave, crônico e incapacitante”, sem possibilidade de melhora.
Caso raro
Desde a entrada em vigor da Lei Orgânica de Regulação da Eutanásia (LORE), em 2021, este é o sexto caso de paciente psiquiátrico submetido ao procedimento na Catalunha. Segundo dados da entidade Dret a Morir Dignament, esses registros representam 1,38% das autorizações na região.
No dia da morte, grupos ultracatólicos realizaram protesto em frente à unidade de saúde. A Abogados Cristianos afirmou que faltavam provas objetivas sobre o sofrimento alegado.
Com informações do El Periódico
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