A Polícia Civil de Santa Catarina investiga uma denúncia de agressão envolvendo um assessor parlamentar do vereador e deputado federal eleito Jair Renan Bolsonaro, contra o primo, em Florianópolis. O episódio teria ocorrido na noite de domingo (25), após a divulgação do resultado da eleição presidencial, que terminou com a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a denúncia divulgada pelo vereador Leonel Camasão (Psol), Gustavo Schiphorst e outras três pessoas teriam participado das agressões contra Marcelo Ribeiro Delgado Júnior. A vítima sofreu ferimentos, incluindo três fraturas em um dos braços, de acordo com o relato. A esposa de Marcelo também teria sido agredida ao tentar intervir.
Em nota, Jair Renan afirmou que procurou o assessor após tomar conhecimento do episódio pela imprensa e ouviu dele que se tratava de um "conflito familiar". O parlamentar disse repudiar qualquer forma de violência, mas afirmou que aguardará a apuração antes de tomar eventuais providências.
De acordo com o depoimento da esposa de Marcelo à Polícia Civil, o episódio começou quando garrafas de vidro foram arremessadas contra a residência do casal, onde também estava o filho deles, de um ano. Os objetos quase atingiram a criança.
Marcelo teria ido até a casa dos envolvidos para questionar o arremesso das garrafas e pedir que parassem. Segundo o relato, ele foi agredido por Camila Braun Schiphorst e Michel Schiphorst, pais de Gustavo e tios da vítima, além de Lucas Ferreira Amorim, apontado como amigo do assessor.
A mulher de Marcelo afirmou à polícia que também sofreu agressões quando tentou defender o marido. Segundo a denúncia de Camasão, Marcelo foi atingido na cabeça por uma garrafa de vidro e sofreu três fraturas em um dos braços. A família teme que os ferimentos comprometam sua capacidade de trabalhar.
Marcelo e a esposa solicitaram medidas protetivas contra Camila, Michel e Lucas. O pedido foi aceito pela Justiça na terça-feira (27), com base na Lei Maria da Penha. A decisão estabelece que os três mantenham distância mínima de 200 metros da família.
A Polícia Civil informou que registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal na terça-feira e instaurou um inquérito para investigar o caso. A apuração está sob responsabilidade da 7ª Delegacia de Polícia da Capital.
Questionada sobre a permanência de Gustavo no cargo e a possibilidade de afastamento, a assessoria de Jair Renan respondeu apenas que está "aguardando apuração dos fatos".
Na manifestação encaminhada à reportagem, Jair Renan afirmou que não pretende antecipar conclusões sobre a responsabilidade do assessor.
Gustavo também é estudante de Administração Pública da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Após a repercussão do caso, o Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas (Esag) divulgou uma nota informando que encaminhará a ocorrência às instâncias competentes da universidade para avaliar eventuais medidas administrativas.
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