Operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro em postos de combustíveis prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Marcio Canella (União Brasil-RJ) e o delegado Marcus Amim, que já ocupou os cargos de ex-secretário da Polícia Civil do Rio e ex-presidente do Detran do estado.
Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 197 mil votos. Seu nome chegou a ser indicado para o Senado por Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República.
A defesa de Canella afirmou que não teve acesso à decisão.
A reportagem busca a defesa dos demais presos. Procurada por email na manhã desta quinta, a Polícia Civil do RJ ainda não se manifestou a respeito da operação.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e é a oitava fase da Operação Unha e Carne, que já havia prendido Canella e Amim antes.
Segundo a PF, a operação foi o tema da reunião da cúpula do órgão com Moraes, no último dia 6, fora de agendas oficiais e que causou desgastes internos no Supremo.
São cumpridos outros quatro mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
"O esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência Financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)", diz a PF, em nota.
Canella e Amim haviam sido presos, também em operação autorizada por Moraes, em 7 de julho. Na ocasião, Canella foi preso em flagrante após a PF ter encontrado um fuzil calibre .556 dentro de seu veículo.
Na ocasião, Canella negou ser o dono do fuzil que fora encontrado em seu carro. Solto em 10 de julho, os advogados Pierpaolo Cruz Bottini, Sheila Lustosa e Davi Lefer disseram que a prisão não se sustentava, pois a arma era legalizada e registrada em nome do policial militar que fazia a segurança do então pré-candidato ao Senado, e a documentação foi entregue ao Supremo.
Amim foi nomeado em outubro de 2023 como chefe de Polícia Civil após pressão de deputados estaduais sobre o ex-governador Cláudio Castro (PL). Ele substituiu o delegado José Renato Torres, que estava havia um mês no cargo e resistiu a indicações feitas pelos membros da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Ele foi exonerado em setembro de 2024, dando lugar ao delegado Felipe Curi. Amim ganhou logo em seguida o cargo de coordenador de segurança na Alerj, à época sob comando de Rodrigo Bacellar (PL), atualmente preso.
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