Marcelo Paz foi demitido do comando do departamento de futebol do Corinthians após uma reunião que ele próprio marcou com o presidente Osmar Stabile, na noite desta terça-feira (20), conforme apurou a reportagem.
O encontro, que serviria para expor as insatisfações do executivo, terminou com a decisão de encerrar o trabalho no clube.
Incomodado com a exposição provocada pelo pedido de saída feito pelas principais torcidas organizadas em reunião com Stabile na semana passada, Paz queria deixar clara sua insatisfação com a situação. Os problemas financeiros do Corinthians, em meio à reta final do Brasileirão, também entraram na conversa, apurou a reportagem.
A pressão das torcidas, porém, não foi o único motivo para a saída do executivo. O relacionamento com a área financeira do clube também vinha sendo marcado por conflitos, principalmente em relação à prioridade dada aos pagamentos e às decisões sobre contratações.
A demissão surpreendeu o elenco, a comissão técnica e os demais profissionais ligados ao futebol. A decisão foi tomada quando o CT Joaquim Grava estava praticamente vazio. A expectativa é que Paz volte ao local até o fim da semana para se despedir dos profissionais.
Thiago Ayres, coordenador administrativo, e Julio Manso, supervisor de futebol, foram mantidos em seus cargos. Os dois chegaram ao Corinthians no início do ano, junto com Marcelo Paz.
Divergências financeiras pesaram
Embora o Corinthians tenha informado, em nota oficial, que a saída ocorreu em comum acordo, a decisão de encerrar o trabalho partiu do clube, segundo apurou a reportagem.
Um dos sinais foi a presença de Stabile no CT Joaquim Grava acompanhado do diretor jurídico Pedro Soares. A visita chamou a atenção porque o departamento jurídico fica no Parque São Jorge, e não no centro de treinamento.
Paz voltou a cobrar que o Corinthians regularizasse os pagamentos ao elenco, especialmente diante da escolha de quitar outros compromissos antes de resolver as dívidas com os jogadores, principalmente por conta da luta contra o rebaixamento, conforme apurou a reportagem.
Do outro lado, fontes ligadas ao departamento financeiro apontaram divergências com Paz ao longo do ano. Na avaliação desses profissionais, o executivo tentou, em algumas situações, colocar as necessidades do futebol à frente da situação financeira do clube. As diferenças de entendimento provocaram conflitos com os responsáveis pelas contas corintianas.
Havia ainda outro motivo de insatisfação: Paz passou mais da metade de seu período à frente do futebol corintiano sem poder registrar reforços. Os transfer bans sofridos pelo clube impediram a inscrição de novos jogadores durante parte de sua gestão.
Bõnus também geram atrito
A discussão sobre premiações e bonificações ao elenco na luta contra o rebaixamento foi mais um fator de desgaste entre Paz e a diretoria.
O contraste ampliou a insatisfação no departamento. A avaliação era de que o clube precisava encontrar uma maneira de mobilizar os jogadores em um momento decisivo do Brasileirão, mas não tem conseguido sequer manter em dia os pagamentos ao próprio elenco enquanto priorizava dívidas de outras áreas.
A divergência sobre como administrar os recursos, somada à pressão externa e aos problemas na relação com o departamento financeiro, ajudou a transformar a reunião desta terça-feira no ponto final da passagem de Marcelo Paz pelo Corinthians.
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