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Eleições 2026

OEA aponta 'ativismo político internacional' em eleição no Brasil

Primeiro turno das eleições gerais de 2026 aconteceram no último domingo

OEA aponta 'ativismo político internacional' em eleição no Brasil
Joédson Silva/Agência Brasil
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A missão de observação eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos) afirmou que a eleição brasileira foi marcada por ativismo político internacional e por preocupações com ações de atores estrangeiros que poderiam ter afetado a campanha, ao mesmo tempo em que apontou insegurança jurídica provocada por decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em relatório preliminar divulgado nesta terça-feira (6), dois dias após o primeiro turno, a organização afirma que a disputa no Brasil "não ficou isenta" de uma tendência crescente de chefes de Estado se manifestarem publicamente sobre processos eleitorais em outros países e diz que, neste caso, esse ativismo chegou "ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas". O documento, porém, não conclui que houve interferência estrangeira comprovada no processo eleitoral.

A OEA diz que atores políticos e representantes da sociedade civil ouvidos pela missão manifestaram preocupação com declarações e ações internacionais que, na avaliação deles, poderiam ter impactado de alguma forma a campanha. No mesmo trecho, o relatório registra declaração do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, segundo a qual "não foram constatados fatos que indicassem interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro".

Além da atuação externa, a OEA fez críticas à condução judicial da campanha. Segundo a missão, decisões tomadas individualmente por ministros do STF e do TSE geraram incerteza jurídica e, de acordo com relatos recebidos pelos observadores, "puderam afetar a equidade em alguns momentos da disputa, favorecendo uma ou outra candidatura".

A organização cita principalmente decisões relacionadas às regras sobre desinformação e à realização de debates, que, segundo o documento, introduziram "distorções no desenrolar natural da campanha e condições de incerteza jurídica para os atores do processo".

O relatório também registra críticas ao que alguns entrevistados descreveram como ativismo ou "protagonismo judicial" de integrantes das duas cortes, que teriam colocado ministros do STF e do TSE no centro da campanha eleitoral. A missão ressalva, porém, que parte dessas controvérsias foi provocada pelas próprias campanhas, que levaram suas reclamações aos tribunais.

A OEA menciona como exemplo o embate institucional entre STF e TSE. O documento reproduz trechos de um ofício enviado por Nunes Marques ao presidente do Supremo, Edson Fachin, em 28 de setembro.

Na mensagem, o presidente do TSE demonstrou "profunda preocupação" com episódios que classificou como sobreposição indevida de competências do STF e afirmou que decisões monocráticas da corte estavam afetando diretamente a condução da eleição pelo tribunal eleitoral.

Outro episódio citado envolve a candidatura de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado. Na noite anterior à eleição, um ministro do TSE negou o registro da candidatura e determinou que eventuais votos recebidos pela chapa fossem considerados nulos.

O relatório ressalta ainda que a interrupção temporária na atualização do portal público de resultados na noite de domingo, quando 64,81% das atas haviam sido apuradas, não afetou a totalização dos votos. Segundo os especialistas da missão, o sistema de apuração continuou operando normalmente enquanto o painel de divulgação permaneceu sem atualização.

A OEA também destacou positivamente que, diferentemente do ocorrido nas eleições de 2022, as Forças Armadas não participaram de atividades de fiscalização e auditoria junto à Justiça Eleitoral neste ano.

A organização também recebeu avaliações divergentes sobre as regras adotadas pela Justiça Eleitoral para combater a desinformação. Enquanto grupos políticos manifestaram preocupação com a circulação de notícias falsas e conteúdos violentos ou de incitação ao ódio, outras forças disseram que os controles impostos pela Justiça Eleitoral limitaram a liberdade de expressão e constituíram uma forma de censura.

A missão, composta por 91 observadores de 23 nacionalidades, acompanhou o processo eleitoral em 21 unidades federativas, no Distrito Federal e em seis cidades no exterior. A OEA afirmou que retornará ao Brasil para observar o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Isabella Menon | da Folhapress)
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