A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) decidiu gravar vídeos com duras críticas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter se cansado do que descrevia como uma série de agressões coordenadas e informações falsas, de acordo com aliados com quem ela conversou ao longo dos últimos meses.
Segundo eles, Michelle fez uma espécie de desabafo e tentou dar um basta a ataques injustos, machistas e covardes que têm sofrido -e que afetam não só a ela, mas também à filha mais nova, que é adolescente.
Irmão de Michelle, o pré-candidato a deputado distrital Eduardo Torres (PL) publicou um texto nas redes sociais em que diz que ela contou "muito pouco diante de tudo o que tem acontecido" e que já presenciou e precisou inclusive intervir.
Pessoas próximas de Michelle afirmam que os vídeos não foram motivados por um episódio específico, mas sim por um acúmulo de situações que a chatearam, expuseram e desgastaram a relação dela com os enteados.
Aliados de Michelle dão, como exemplo, uma publicação feita pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) no X (ex-Twitter) em que ele faz uma clara indireta à madrasta e afirma que "não se faz política com o fígado".
No post, Eduardo diz que o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do PL no Ceará, age certo ao se aliar a Ciro Gomes (PSDB) e agradece a ele e ao pai, Jair Bolsonaro (PL), por "fazerem um trabalho sério e com inteligência".
A declaração de Eduardo se deu em resposta a um vídeo em que Fernandes reafirma a aliança com Ciro para governador do Ceará, diz que vai votar nele e não no senador Eduardo Girão (Novo-CE) e que Michelle "faz o que ela quiser".
Ao ser questionado sobre o que será feito se Michelle "estrebuchar", Fernandes responde: "Aqui a gente não vai falar de Michelle, a gente não vai falar de nacional. [...] Do Ceará, nós tomaremos de conta, nós definiremos o que faremos".
O episódio foi lembrado por Michelle nos vídeos divulgados nesta quarta-feira (24). Neles, a ex-primeira-dama diz que Flávio não falou com ela de forma reservada antes de criticá-la e, ao retornar às suas ligações, a desrespeitou e humilhou.
"Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", disse.
Segundo relatos, Michelle fez um desabafo durante a semana dizendo estar triste pela decisão do partido de insistir no nome do pai de André, Alcides Fernandes (PL), em vez da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL).
Aliados de Michelle também consideram injustas notícias dizendo que ela sente raiva de Flávio porque gostaria de ser candidata a presidente. Amigos de Michelle afirmam que ela não tem vontade de disputar a Presidência e nunca nem sequer se colocou como pré-candidata ao Senado.
Pessoas próximas à ex-primeira relatam que Michelle soube que Flávio seria pré-candidato à Presidência pela imprensa. O senador, afirmam, poderia ter tentado melhorar a relação dos dois naquele momento e trazê-la para perto dele na campanha.
Quando houve o anúncio de Flávio, Bolsonaro não estava em prisão domiciliar, mas sim na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Parlamentares relatam que Michelle não conseguiu falar de política com o marido na visita imediatamente anterior porque ele passou a maior parte do tempo dando atenção à filha.
"Peço apenas que não retirem trechos da minha fala de contexto para gerar confusão. Uma nova história será escrita com verdade, clareza e respeito. Fiquem em paz", afirma a mensagem.
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