O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma crítica ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), depois de fortes chuvas matarem ao menos 69 pessoas na zona da mata, uma das regiões do estado.
Lula e Zema são adversários políticos. O governador de Minas Gerais tem se colocado como possível concorrente do petista na eleição para presidente da República, em outubro. O chefe do governo deu as declarações na Conferência Nacional das Cidades, em Brasília.
As críticas de Lula foram feitas por meio de um diálogo travado ao microfone com o ministro das Cidades, Jader Filho.
Em resposta, Jader informou que o governador deveria apresentar o projeto e a documentação para que as obras pudessem ser contratadas, fazer a licitação e iniciar a obra. Questionado por Lula, na sequência, quantos projetos Zema teria apresentado, o ministro afirmou que nenhum foi entregue até o momento.
Depois, Lula disse que havia feito essas perguntas porque vai a Juiz de Fora, a cidade mais afetada, e a Ubá, no sábado (28), onde visitará pessoas afetadas pela chuva e conversará com prefeitos.
"Isso, companheiros e companheiras é um resultado do descaso histórico que se tem com o povo pobre desse país. É um descaso porque um prefeito pode saber de antemão que uma determinada área não pode ser ocupada porque pode haver deslizamento, enchente, e o prefeito sabe disso", declarou Lula.
A gestão Zema usou menos de 5% dos recursos previstos no ano para contenção de encostas em Minas Gerais. Recursos do PAC, principal programa de infraestrutura do governo federal, está com verbas travadas para contenção de encostas em Juiz de Fora.
A reportagem questionou nesta tarde, por mensagem, a gestão Zema sobre a fala do presidente, mas não houve resposta. Sobre a baixa execução de verbas do PAC, o governo havia dito anteriormente que "herdou um conjunto de projetos paralisados e defasados" e que vem atuando para atualizá-los "com viabilidade técnica, responsabilidade fiscal e foco na efetiva redução de riscos à população".
O discurso foi proferido por Lula a uma plateia repleta de militantes de movimentos sociais voltados à habitação, um setor que tradicionalmente dá apoio político e eleitoral ao petista.
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