A Justiça de SP decretou a prisão preventiva (sem prazo) de seis acusados por uma tentativa de golpe de R$ 845,9 milhões contra a herança do fundador do Grupo Unip-Objetivo, João Carlos Di Genio.
Na decisão de 15 de outubro, o juiz Guilherme Eduardo Martins Kellner, da 3ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, aceitou a denúncia do Ministério Público contra nove no processo.
De acordo com o magistrado, o grupo usou documentos falsificados e uma câmara de arbitragem para simular uma cobrança legítima ao espólio de Di Genio.
O juiz diz que a organização criminosa investigada teria atuado com "extrema sofisticação para conferir 'roupagem de legalidade' à fraude", camuflando um estelionato vultoso.
Tiveram a prisão decretada Anani Cândido de Lara e Luiz Teixeira da Silva Júnior, ligados à Colonizadora Planalto Paulista (empresa imobiliária), além de Wagner Rossi Silva, Patricia Alejandra Ormart Barreto, Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormart e Carlos Xavier Lopes, vinculados à Fonamsp (câmara voltada à solução de conflitos).
Os seis são descritos como foragidos. Ao fundamentar as ordens de prisão, Kellner citou o risco de reiteração dos crimes, a fuga prolongada e o fato de o grupo continuar peticionando na cobrança judicial.
Outros três investigados -Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, Rubens Maurício Bolorino e a árbitra Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura- receberam medidas cautelares alternativas, como o comparecimento trimestral em juízo e a proibição de contato com testemunhas. Boaventura foi suspensa do exercício da arbitragem.
Como a Folha de S.Paulo mostrou em março, o suposto esquema utilizou assinaturas falsas de Di Genio e de seu procurador para simular a compra de 448 imóveis em Piraju, a 329 km de São Paulo. A suposta dívida começou em R$ 635 milhões e foi elevada pelo próprio grupo para R$ 845,9 milhões.
Em janeiro de 2025, Aline Boaventura proferiu a sentença arbitral cobrando o valor, o que permitiu à empresa pedir o cumprimento judicial da decisão em junho. A cobrança acabou travada na Justiça após laudos do Instituto de Criminalística confirmarem a montagem digital das assinaturas.
Guilherme do Amaral Pereira, que defende Rossi, nega a participação do cliente na fraude e informou ter pedido habeas corpus contra a preventiva, que não havia sido cumprida.
Pereira destacou ainda que a própria árbitra suspendeu os efeitos da decisão arbitral em abril deste ano após dúvidas sobre as assinaturas e ressaltou que "o recebimento da denúncia é uma etapa inicial, em que não há juízo sobre culpa".
A Folha de S.Paulo procurou o defensor de Luiz Teixeira, que informou ter deixado a causa. O atual advogado dele não foi identificado.
Na avaliação do juiz, Anani assinou os contratos falsos, Luiz geriu as investidas de cobrança, Rossi disponibilizou a câmara arbitral e Lopes, Patricia e Camila forneceram o suporte societário e operacional à entidade.
O caso motivou uma operação do Gaeco e da Polícia Civil em março. Com o aceite da denúncia, Kellner autorizou o compartilhamento das provas com a OAB, o Ministério Público e corregedorias de cartórios para apurar a conduta dos tabelionatos e investigar eventuais novos envolvidos.
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