Quase 40 mil pessoas morreram sozinhas dentro de casa no Japão em 2024, evidenciando o avanço de uma crise silenciosa ligada ao envelhecimento acelerado da população. O fenômeno, conhecido como kodokushi, atinge majoritariamente idosos e expõe o isolamento crescente no país.
Dados da polícia indicam que mais de 70% das mortes solitárias envolvem pessoas com 65 anos ou mais. Em cerca de 4 mil casos, os corpos só foram encontrados após mais de um mês; em 130 situações, a descoberta ocorreu apenas depois de um ano ou mais. Pesquisas apontam que quase metade dos idosos considera real a possibilidade de morrer sem companhia, especialmente entre os que vivem sozinhos.
Além das mortes solitárias, cresce outro fenômeno preocupante: idosos que cometem pequenos delitos para serem presos. Segundo relatório policial, cerca de 20% dos crimes no país são praticados por pessoas da terceira idade. A motivação inclui dificuldades financeiras, isolamento social e a busca por abrigo, alimentação e cuidados médicos garantidos no sistema prisional.
Quase 20% dos japoneses com 65 anos ou mais vivem abaixo da linha da pobreza, percentual superior à média da OCDE. Benefícios considerados baixos e o alto custo de vida agravam a vulnerabilidade. Programas comunitários, centros de convivência e monitoramento de idosos têm sido ampliados, mas ainda não conseguem reverter a tendência nacional.
Em 2023, o governo criou um grupo de especialistas para estudar o problema e propor políticas públicas. Iniciativas locais buscam fortalecer redes de apoio e combater o isolamento.
*Com informações da organização Silvereco
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