Um dos fornecedores da campanha deste ano do deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi uma empresa ligada a uma diretora da Secretaria Especial da Cultura da época em que o ex-ator chefiava o órgão, no governo de Jair Bolsonaro (PL).
A Estratégia Comunicações Ltda., ligada a Jessika Helen dos Santos, recebeu R$ 80 mil do deputado para prestar serviços à campanha. A empresa também obteve dinheiro direto da conta-corrente do político, R$ 115 mil, além de R$ 775 mil de cota parlamentar do ex-ator e de outros deputados do PL que tentaram a reeleição.
A Polícia Federal investiga o congressista em um esquema ligado a suposto desvio e lavagem de dinheiro. A corporação aponta a movimentação de valores por secretários, parentes, pessoas próximas ou advogados em mais de uma frente para Mario Frias, como doação de campanha e prestação de serviços.
Junto do congressista, a Estratégia Comunicações Ltda. foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal em 10 de setembro, em investigação sobre possível organização criminosa envolvida em delitos como lavagem de dinheiro e peculato. Mario Frias articula voltar ao comando da Cultura em possível governo de Flávio Bolsonaro (PL).
Já entre os doadores de campanha, dois assessores do deputado são os únicos que constam nos dados da Justiça Eleitoral, fora as direções nacional e estadual do PL. Os doadores são Rareska Metsker, assessora do parlamentar que trabalhou em "Dark Horse" enquanto exercia o cargo para o político, e o assessor Diego Garcia Ramos, cujo cunhado já alugou um imóvel para o congressista.
A reportagem tentou o contato com todos os citados nesta reportagem. Mario Frias não respondeu, mas negou anteriormente qualquer irregularidade no exercício do cargo.
Os R$ 80 mil da campanha de Mario Frias destinados à Estratégia Comunicações Ltda., segundo ranking de fornecedores do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), custearam a serviços de comunicação e marketing entre agosto e outubro. Ainda, o envio dos R$ 115 mil diretamente da conta-corrente do deputado, segundo dados da PF, ocorreu entre abril de 2025 e abril de 2026.
Documento da corporação aponta que a empresa tem CNPJ contíguo, com indícios de registro no mesmo dia e na mesma junta comercial que o Instituto Super Poder Educacional Ltda., outra empresa citada em possível esquema de desvio de dinheiro que seria encabeçado pelo deputado, segundo as autoridades.
Jéssika Helen dos Santos foi nomeada em 2021 para o cargo de diretora na Secretaria Especial da Cultura sob Mario Frias. Ela foi sócia-administradora da Estratégia Comunicações Ltda., aberta em janeiro de 2023.
O deputado federal exerceu o cargo no governo de Jair Bolsonaro, de junho de 2020 a março de 2022. Jessika ficou no cargo em comissão até junho de 2022. Hoje é secretária parlamentar do deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB), cargo para o qual foi nomeada em novembro de 2025.
A firma recebeu, durante todo o atual mandato de Mario Frias, R$ 360,9 mil de cota parlamentar — valor mensal que deputados recebem para custear despesas do exercício do mandato— sob a rubrica de serviços de divulgação de atividade parlamentar.
A estratégia também recebeu recursos de outros deputados que tentaram a reeleição neste ano. Segundo levantamento da reportagem, o Coronel Assis (PL-MT) enviou para a empresa durante esta legislatura R$ 247 mil de cota parlamentar, seguido de Roberta Roma (PL-BA), com R$ 144 mil, Marcos Pollon (PL-MS), com R$ 14,7 mil, e Rodrigo da Zaeli (PL-MT), com R$ 9.000. Zaeli ficou como suplente nessas eleições, e os demais foram reeleitos.
Já Marcos Pollon diz que "a Estratégia Comunicações prestou um serviço pontual em janeiro de 2025, com resultado satisfatório. Voltei a contratar a empresa em agosto daquele ano para cuidar de parte da comunicação", afirma. "Os serviços foram prestados e os pagamentos estão documentados. Minha relação com a empresa se limitou a esses serviços. Ter contratado um fornecedor que também atendeu outros parlamentares não permite associar meu mandato às condutas investigadas".
A relação de Jessika se estende ao campo político também com a atuação na internet. Ela criou, em 2019, a página no Instagram "Laurinha Opressora", em homenagem à filha do então presidente Jair Bolsonaro.
Mario Frias também recebeu doações da direção nacional do PL no valor de R$ 2,7 milhões, seguida do diretório estadual de São Paulo, com R$ 12,4 mil.
Na sequência, consta como doador Diego Garcia Ramos, com envio de R$ 6.000 para a campanha. Ele foi nomeado secretário parlamentar do ex-ator em abril de 2024, e a remuneração atual é de R$ 25.958,90, segundo dados da Câmara dos Deputados.
Merli Junior obteve transferências, entre agosto de 2024 e abril de 2026, R$ 153,7 mil de cota parlamentar de Mario Frias com o aluguel de um escritório de apoio em Limeira (SP), segundo dados da Câmara dos Deputados.
Outra doadora para a campanha do ex-ator é Rareska Metsker, que foi nomeada secretária parlamentar em maio de 2024 com remuneração de R$ 6.202,74. Ela doou R$ 2.500,00 ao candidato à reeleição nesta corrida eleitoral.
O congressista foi produtor-executivo do projeto, investigado em frentes diferentes sobre esquema que poderia envolver o destino de emendas do parlamentar e dinheiro negociado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso sob suspeita de fraude financeira.
Colaboraram Iran Alves e Vitor Antonio, de São Paulo
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