Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que agora admite ter pedido e recebido dinheiro de Daniel Vorcaro para a realização de um filme sobre seu pai, negou há dois meses ter qualquer contato com o ex-dono do Banco Master, quando a reportagem revelou que seu número de telefone estava na agenda do ex-banqueiro.
A coluna Mônica Bergamo mostrou em 16 de março que documentos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) revelaram que os contatos de Flávio, do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), do ex-presidente Michel Temer e de artistas como o apresentador Luciano Huck constavam da agenda de Vorcaro.
Na ocasião, Flávio afirmou que nunca teve contato com o dono do Banco Master. "O número do meu telefone não é propriamente um segredo", afirma ele, sugerindo que qualquer outra pessoa pode ter passado seu contato a Vorcaro, de acordo com a reportagem.
"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público", escreveu o senador, em nota.
O senador disse que conheceu Vorcaro quando o governo Bolsonaro já havia acabado e não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro.
"O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", disse Flávio.
A reportagem procurou a assessoria do senador às 18h50 desta quarta (13) para questioná-lo sobre a mudança de versão, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.
Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o filme, informação revelada pelo Intercept Brasil e confirmada pela reportagem.
As mensagens foram enviadas cinco dias depois de o Banco Central vetar a compra do Master pelo BRB (Banco Regional de Brasília). A liquidação só viria em novembro, junto com a primeira prisão de Vorcaro, ocorrida em 17 de novembro.
No dia 16 de novembro, segundo o Intercept, Flávio teria enviado outra mensagem para Vorcaro dizendo: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".
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