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Eventos climáticos desde julho deixam 25 mortos no país, diz CNM

El Niño deve favorecer a ocorrência de novos desastres nos próximos meses

Eventos climáticos desde julho deixam 25 mortos no país, diz CNM
Defesa Civil/RS
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Desastres provocados por mudanças climáticas afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 municípios brasileiros de julho a setembro, em um trimestre marcado por chuvas intensas e outros eventos extremos, segundo relatório da CNM (Confederação Nacional de Municípios). A entidade alerta que o El Niño deve favorecer a ocorrência de novos desastres nos próximos meses.

Foram 25 mortes e 87,7 mil pessoas obrigadas a deixar suas casas no período. Os prejuízos econômicos chegaram a R$ 12,6 bilhões, principalmente na agricultura e na pecuária, de acordo com o levantamento.

No Sudeste, a entidade registrou ocorrências de vendavais, deslizamentos, granizo e inundações. Em São Paulo, por exemplo, o inverno de 2026 foi o mais chuvoso desde o início da série do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da prefeitura, em 1995. No Vale do Ribeira, no sul paulista, o rio Ribeira de Iguape subiu cerca de nove metros e 152 famílias precisaram deixar suas casas.

Minas Gerais também aparece entre as áreas do Sudeste sob influência de um período de maior instabilidade. A previsão para a primavera indica chuva acima da média no sul e no Triângulo Mineiro, enquanto São Paulo deve ter temporais mais frequentes.

No Rio Grande do Sul, os temporais de setembro atingiram 146 municípios e afetaram mais de 527 mil pessoas. Quatro pessoas morreram e mais de 3.000 precisaram deixar suas casas. Houve ainda danos em quase 2.400 residências, 38 escolas e 17 unidades de saúde.

O Nordeste concentrou a maior parte das perdas econômicas, com ocorrências de seca e estiagem.

Na região Norte, a redução das chuvas também provocou impactos. De julho a setembro, Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia registraram decretos de emergência relacionados à seca e à estiagem, com prejuízos para a agricultura, a pecuária, a pesca e o transporte.

O levantamento estima que 8,9 milhões de pessoas vivem em áreas de risco no país. A CNM afirma que a dificuldade na liberação de recursos federais prejudica ações de prevenção e resposta a desastres. De acordo com a entidade, desde 2010, R$ 12 bilhões destinados aos municípios ainda não foram pagos.

Para a CNM, a baixa execução dos recursos prejudica a capacidade das cidades de se preparar para eventos extremos.

A proposta de Orçamento da União para 2027, enviada pelo Executivo ao Congresso em 31 de agosto, prevê R$ 2,9 bilhões para o programa Gestão de Riscos e de Desastres. Desse total, R$ 1,8 bilhão deverão ser destinados aos municípios.

Procurado, o MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional) afirma que a execução dos recursos depende da apresentação correta da documentação pelos municípios. Segundo a pasta, o repasse não significa o início imediato de obras, serviços ou aquisições, que também dependem de providências administrativas das prefeituras. A Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil) diz buscar agilizar a liberação dos recursos.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Ideídes Guedes | da Folhapress)
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