Os Estados Unidos têm endurecido fiscalizações e restringido acesso mesmo de pessoas envolvidas com a Copa do Mundo às vésperas do início do torneio. O maior rigor reforça as políticas anti-imigratórias do governo Donald Trump e tem gerado críticas de torcedores.
A Fifa (Federação Internacional de Futebol), organizadora do evento, evita se pronunciar sobre o tema e afirma não se envolver nos processos de imigração dos países-sede. O Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA e o Departamento de Segurança Interna alegam que as decisões são tomadas caso a caso.
Até agora, os principais atingidos são pessoas ligadas às seleções de Irã, Iraque e Uzbequistão, além de um árbitro da Somália. Alguns desses países figuram entre os alvos das restrições migratórias adotadas pelo governo Trump.
Em comunicado, a federação afirmou que já havia iniciado o processo de venda de ingressos para as partidas, mas não poderá mais fornecê-los aos torcedores.
Cada federação participante da Copa do Mundo recebe 8% dos ingressos de cada uma de suas partidas para distribuir aos torcedores de acordo com seus próprios critérios.
Além disso, o governo norte-americano concedeu vistos aos jogadores, mas não a todos os integrantes da comissão técnica. Cerca de 15 membros da delegação receberam uma negativa, entre eles o presidente da Federação de Futebol do Irã, Mehdi Taj.
A seleção de futebol do Irã, que está concentrada no México para a Copa do Mundo de 2026, viajará para os Estados Unidos um dia antes de sua estreia contra a Nova Zelândia.
Anteriormente, o embaixador iraniano no México havia afirmado que a seleção de seu país teria de entrar e sair dos Estados Unidos no mesmo dia de suas partidas.
Artan seria o primeiro árbitro da Somália a apitar uma edição da Copa do Mundo e teve sua entrada no país negada após mais de 11 horas de interrogatório. "Acho que eles têm um problema com o meu país", afirmou em entrevista, negando ter qualquer problema relacionado ao visto.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou, em comunicado, que, "após inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da Fifa, foi considerado inadmissível devido a preocupações de segurança e teve sua entrada negada".
A seleção do Uzbequistão também foi submetida a inspeção. O time estará no grupo K.
A comissão técnica comandada pelo treinador italiano e ex-campeão do mundo Fabio Cannavaro foi recepcionada por cães farejadores e detectores de metais (veja abaixo o momento) antes do amistoso contra a Holanda na segunda-feira (8), que aconteceu no Estádio Icahn, em Nova York:
Hussein acabou sendo liberado, mas o fotógrafo da delegação foi impedido de entrar nos Estados Unidos.
A política anti-imigração do governo de Donald Trump tem limitado o acesso ao país e provocado ondas de deportação de imigrantes em situação irregular.
No documento, intitulado "aviso aos viajantes", as entidades chamam a atenção para a possibilidade de negação arbitrária de entrada no país, detenções sem garantias legais, deportações e tratamentos desumanos no contexto da política migratória adotada pelo governo do presidente Donald Trump.
Somália e Irã estavam entre os países afetados por restrições de entrada impostas pelo governo Trump. A medida foi suspensa por um juiz federal do distrito de Rhode Island, nos Estados Unidos, na última sexta-feira (5). Na decisão, John McConnell considerou que as políticas deixavam pessoas de dezenas de países da África, Ásia, América Latina e Oriente Médio em um "limbo jurídico indeterminado".
Comentários: