O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo estadual Fernando Haddad esteve em Bauru nesta quinta-feira (28) para uma palestra e conversou com o JCNET sobre o fim da escala 6x1 e a eleição para o governo estadual. Durante a entrevista, Haddad afirmou que a redução da jornada de trabalho exigirá uma revisão dos impostos sobre a folha de pagamento e disse que a chamada “pejotização” tem acelerado mudanças nas relações trabalhistas e impactado a Previdência Social. Segundo ele, a discussão já estava prevista na agenda econômica do governo federal.
“Primeiro foi a reforma sobre o consumo, depois a reforma da renda e, em terceiro lugar, a reforma dos impostos sobre a folha. Isso já era uma necessidade e agora vai se tornar ainda maior”, afirmou. O ex-ministro destacou que a negociação sobre o fim da escala 6x1 envolve empregadores, trabalhadores e o Congresso Nacional. Para ele, o debate sobre a jornada de trabalho precisa considerar as transformações econômicas e sociais ocorridas desde a Constituição de 1988, que estabeleceu a carga semanal de 44 horas.
“Muita coisa mudou no mundo desde então. Temos que enfrentar esse debate com os cuidados devidos, mas é possível avançar”, declarou Haddad, atribuindo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a condução das negociações. O ex-ministro também citou estudos do Ministério da Fazenda sobre a reforma da folha e afirmou que o avanço da “pejotização” exige novas soluções para garantir sustentabilidade ao sistema previdenciário. “Tudo somado, nós temos que ter um sistema mais confortável para todo mundo”, afirmou.
Haddad também ressaltou medidas do governo federal para apoiar São Paulo, como a ampliação do financiamento do BNDES e a redução dos juros da dívida estadual com a União. Para ele, a situação financeira do Estado exige mudanças rápidas na gestão pública.
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