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Elo de Flávio Bolsonaro e Vorcaro gera apreensão de bolsonaristas

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, pediu dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Elo de Flávio Bolsonaro e Vorcaro gera apreensão de bolsonaristas
Beto Barata/PL Nacional
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A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, pediu dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para fazer um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pegou bolsonaristas de surpresa e causou apreensão sobre as consequências políticas do caso.

A direita aliada do clã Bolsonaro demorou a reagir e adotou o discurso de que Flávio buscou dinheiro privado para um projeto privado, sem desvio de dinheiro público, junto com um ataque à Lei Rouanet (política pública criada em 1991 para conceder desoneração de impostos a empresas que patrocinam, publicamente, filmes, shows e outras obras artísticas).

Informações reveladas pelo site The Intercept Brasil e confirmadas pela Folha mostram que Vorcaro pagou R$ 61 milhões para financiar o longa-metragem sobre Bolsonaro. Flávio procurou o ex-banqueiro do Master pelo menos duas vezes com cobranças para demais parcelas do aporte, que chegaria a R$ 134 milhões, de acordo com documentos obtidos pelo Intercept.

"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", escreveu o senador, em nota.

A linha de defesa foi adotada por Flávio em nota e vídeo para as redes sociais, junto com a defesa de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o Banco Master, mas deixou apreensivos bolsonaristas ao longo da tarde com o estrago que isso pode causar na campanha -com alguns até sugerindo que novas revelações podem exigir uma substituição da candidatura, a depender dos reflexos nas pesquisas de intenção de voto.

Por outro lado, integrantes da ala política da campanha admitiram que o clima foi de tensão, mas apostam que novos escândalos relacionados ao Master envolvendo outros políticos devem ajudar a abafar a situação de Flávio.

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que as explicações apresentadas "são claras, coerentes e objetivas" e que a bancada do partido "permanece unida e confiante no senador Flávio Bolsonaro, certo da lisura de seus atos". "Os fatos dizem respeito à busca de patrocínio privado para um projeto privado, sem qualquer utilização de recursos públicos", escreveu.

Outros pré-candidatos à Presidência da direita aproveitaram a denúncia para se desvincular de Flávio Bolsonaro e tentar atrair os votos conservadores.

Romeu Zema (Novo) afirmou que o caso era "imperdoável, um tapa na cara".

Presidenciável do PSD, Ronaldo Caiado disse que "a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados".

A esquerda rapidamente reagiu ao caso e, minutos após a reportagem ir ao ar, perfis de partidos governistas já divulgavam o áudio em que Flávio cobrava o pagamento de Vorcaro. A orientação era replicar e repercutir a reportagem o máximo possível, para vincular o escândalo do Master à oposição.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou uma notícia de fato criminal ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, à PF e à PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a prisão preventiva de Flávio.

"Uma semana após Flávio dizer que Banco Master está ligado ao PT, vaza áudio dele cobrando R$ 134 milhões de Vorcaro. A terra plana não gira, capota", escreveu o ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral). Na Câmara para uma audiência pública, Boulos também pediu a cassação do mandato do senador.

"Ele já vem com o papo de CPI já. Eles querem jogar poeira no olho de todo mundo, vai virar um bate-boca. PF já está investigando, não precisa de CPI", disse. "Acho que foi batom na cueca para ele. Fica posando de mais honesto que todo mundo, dizendo que nasceu na Bahia [o caso Master], e acaba tomando pau."

No plenário da Câmara, o líder do governo na Casa, Paulo Pimenta (PT-RS), reforçou o apoio por uma investigação e pediu o bloqueio do valor que Flávio teria recebido como patrocínio.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Raphael di Cunto, Mariana Brasil, Carolina Linhares, Caio Spechoto e Augusto Tenório | da Folhapress)
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