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Eduardo Bolsonaro diz que não vai retornar para cumprir pena

Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão

Eduardo Bolsonaro diz que não vai retornar para cumprir pena
Reprodução/Redes Sociais
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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (14), em Washington, que não pretende voltar ao Brasil após ter sido condenado a quatro anos e dois meses de prisão e voltou a defender a saída do ministro Alexandre de Moraes do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Eu não vou puxar uma cadeia sendo inocente, não", disse Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado.

A declaração foi dada a jornalistas durante uma cerimônia de gala em celebração à cultura hispânica nos Estados Unidos, que conta com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei.

O jantar, cujo ingresso mais barato tinha o preço de US$ 3.000 (cerca de R$ 15 mil), reúne outras figuras da direita americana e brasileira, como o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

Na última quinta-feira (8), Moraes determinou o cumprimento da pena imposta ao ex-deputado pelo crime de coação, praticado nos Estados Unidos com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista. O ministro também determinou o cancelamento dos passaportes de Eduardo.

Durante a conversa com jornalistas, o ex-deputado afirmou que a saída de Moraes do Supremo seria necessária para um eventual governo de seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo dia 25.

"Primeiro a gente vai ter que expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte", afirmou. "Eu também não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com Moraes na Suprema Corte."

Eduardo também comemorou o que classificou como uma rejeição, pelo PL, de uma tentativa de acordo com integrantes do Supremo. "Gostei que ele já veio rastejar atrás de um acordo e que o PL rejeitou o acordo", disse, em referência a Moraes.

A declaração ocorre em meio à preocupação de ministros do STF com a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra integrantes da corte após a eleição de uma forte bancada conservadora no Senado.

No entorno de Moraes, há o temor de que ele sequer consiga assumir a presidência do Supremo, prevista para setembro de 2027, diante da pressão de parlamentares bolsonaristas. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, já negou a existência de qualquer acordo político com o STF para proteger ministros como Moraes.

Em meio ao temor de aliados de que falte engajamento de bolsonaristas na reta final até o segundo turno, Eduardo sinalizou confiança na vitória do irmão, mas reconheceu que a disputa ainda não está decidida.

O ex-deputado também disse que pretende se encontrar com Milei durante o evento em Washington. Segundo ele, a conversa servirá para agradecer ao presidente argentino por sua postura em relação aos brasileiros condenados pelos ataques de 8 de Janeiro, além de discutir uma possível aproximação entre os dois países caso Flávio vença a eleição.

"É óbvio que o tema da conversa é algo reservado, mas também reforça o conforto que ele tem de falar com uma pessoa que tem duas condenações hoje no Brasil", afirmou Eduardo, referindo-se a si mesmo.

Eduardo negou ter pedido ao presidente americano, Donald Trump, que declarasse apoio à candidatura de Flávio no segundo turno.

Questionado sobre uma possível interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira, o ex-deputado voltou a acusar o governo americano de ter atuado para influenciar a disputa presidencial de 2022, citando recursos da Usaid, agência de ajuda externa dos EUA desmantelada pelo governo Trump.

JAVIER MILEI CHAMA LULA DE 'DITADOR COMUNISTA'

O presidente ultraliberal Javier Milei foi um dos homenageados no evento em Washington. Em um discurso de mais de 15 minutos, chamou o presidente Lula (PT) de "ditador comunista".

"Daniel Noboa foi eleito no Equador, Rodrigo Paz venceu na Bolívia, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia", disse. "E agora, meu querido amigo Flávio Bolsonaro, tenho certeza de que dentro de poucos dias, com a força do céu, vai tirar esse ditador comunista Lula da Silva."

O argentino também enviou uma mensagem de "amor e apoio" tanto a Flávio quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, segundo ele, "continua indigna e vingativamente encarcerado".

Em sua fala, Eduardo afirmou que uma vitória do irmão poderia inaugurar uma "era de ouro da América Latina", marcada pela aproximação entre governos de direita da região e os Estados Unidos de Donald Trump.

O ex-deputado destacou a importância do Escudo das Américas, iniciativa liderada pelo presidente Donald Trump para combater o crime organizado, e disse esperar uma cooperação inédita entre os países.

Eduardo também afirmou que a eleição de Flávio seria o primeiro passo para a libertação de Jair Bolsonaro, a quem chamou de "preso político" e vítima de perseguição judicial. Ao comparar a situação do pai à de Trump, disse que o ex-presidente brasileiro vive o que teria acontecido com o republicano caso ele não tivesse vencido a eleição americana de 2024.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por Isabella Menon | da Folhapress)
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