A partilha do fundo eleitoral tem gerado apreensão no PL sobre o investimento em campanhas de deputados federais. A sigla terá R$ 881,6 milhões, a segunda maior fatia no ranking, mas lideranças se preocupam com a concentração dessa verba diante da prioridade das candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e também de senadores.
Caciques do PL olham com atenção para a federação União Progressista. A aliança do PP com o União Brasil concentra a maior parte do fundo eleitoral, com R$ 943,3 milhões. Diferentemente da sigla de Jair Bolsonaro, porém, esse "superpartido" do centrão vai priorizar a eleição de deputados federais e planeja gastar pelo menos R$ 400 milhões somente para aumentar sua bancada na Câmara.
União Brasil e PP hoje somam 98 deputados e, com a federação, vão funcionar como um só partido no pleito deste ano. Esse modelo de aliança facilita a eleição de deputados, pois o número de eleitos para a Câmara e Assembleias Legislativas é feito no sistema proporcional, com divisão de vagas por votos que cada legenda recebe.
A expectativa de dirigentes partidários é que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mantenha o teto das candidaturas presidenciais próximo ao da eleição passada. A avaliação parte do entendimento de que o fundo eleitoral não sofreu alteração significativa entre 2022 e 2026, permanecendo na casa dos R$ 4,9 bilhões, então o limite de gastos também não deve ser corrigido significativamente.
Neste ano, o PL decidiu priorizar o lançamento de candidatos próprios nos estados para garantir à candidatura de Flávio o maior número de palanques pelo Brasil. O partido deve ter cerca de 15 nomes próprios a governos e até 30 ao Senado. Tal postura exigirá investimentos significativos do fundo eleitoral.
Nos bastidores da sigla, a estimativa de gasto por concorrente a senador ficará na média dos R$ 4 milhões, podendo ser maior a depender do estado. Por essa previsão, cerca de R$ 120 milhões ficarão comprometidos.
A disputa do Senado foi definida como uma prioridade do ex-presidente Bolsonaro, que pretende conquistar a maioria e o comando da Casa para aprovar pautas contrárias ao STF (Supremo Tribunal Federal) e promover o impeachment de ministros da corte. Apesar de preso, ele segue como presidente de honra do PL.
Já as campanhas para governador sofrem a maior volatilidade. A candidatura de Douglas Ruas no Rio de Janeiro, por exemplo, pode consumir até R$ 26,5 milhões do fundo eleitoral, na perspectiva do PL. O eventual lançamento de um nome próprio em Minas Gerais ficaria na mesma ordem de grandeza. Já Arthur Henrique, em Roraima, poderá gastar R$ 5,4 milhões em caso de segundo turno.
No mês passado, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, publicou uma resolução definindo a divisão do fundo entre a direção nacional e os estados. Segundo o documento, 70% dos recursos serão entregues aos diretórios estaduais do PL, enquanto 30% ficarão a cargo da direção nacional.
Ou seja, cerca de R$ 265 milhões estarão reservados para as candidaturas que a cúpula do PL considerar prioritárias. Congressistas do partido afirmam acreditar que a campanha de Flávio vai consumir quase metade desse montante, se o limite legal ficar na casa dos R$ 130 milhões.
A resolução diz que os 70% destinados aos estados serão distribuídos entre as unidades da federação de forma proporcional à quantidade de deputados e senadores eleitos em 2022, além da quantidade nominal de votos para deputados federais.
Partidos do centrão enxergam uma oportunidade de obter vantagem sobre o PL. A eleição de deputados federais é considerada crucial para a sobrevivência dos partidos porque é o principal fator de cálculo para a divisão do fundo partidário e também do próximo fundo eleitoral.
Houve uma concentração de bolsonaristas no PL durante a janela partidária. Deputados migraram para o partido desejando uma associação mais direta à imagem de Flávio Bolsonaro, inclusive para garantir o número "22" na urna.
Tal movimento pode ter um efeito reverso, calculam lideranças do centrão. Nessa avaliação, se Flávio Bolsonaro continuar sofrendo com crises como o caso "Dark Horse", a votação de deputados federais também será abalada por se tratar de um voto ideológico.
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