O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) publicou um vídeo em suas redes sociais nesta quinta-feira (8) em que aparece com lágrimas nos olhos, cita Deus e a Bíblia e afirma que haverá vitória de todo jeito, independentemente da futura decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre sua candidatura.
Deltan recebeu 2,9 milhões de votos nas eleições de domingo (4), o suficiente para ocupar uma das duas vagas disponíveis na bancada do Paraná no Senado, mas a diplomação como senador ainda depende da análise do TSE.
"Deltan, e tua eleição vai valer? Ela já valeu. Vamos lutar até o fim juntos. Deus nos dará a vitória, de um jeito ou de outro. Seja confirmando essa eleição, o que é justo e certo, seja com uma nova eleição, nós vamos vencer", disse o ex-procurador no vídeo.
Em 10 de junho, durante uma entrevista ao podcast "A Tia Pod", Deltan afirmou que acreditava que sua candidatura seria deferida, mas que, se a Justiça Eleitoral o tirasse, ele poderia colocar dois nomes de sua confiança para concorrer em uma nova eleição, sua esposa, Fernanda Dallagnol (Novo), ou o ex-deputado federal Paulo Martins (Novo), que hoje é vice-prefeito de Curitiba e foi eleito deputado federal no domingo.
"A gente não pode deixar Brasília decidir em quem a gente vota, em quem a gente não vota", disse ele ao podcast, na ocasião.
O TSE havia marcado o julgamento do caso para a sessão presencial desta quinta, mas o processo acabou retirado da pauta, já que a discussão sobre a candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) ao Governo do Rio de Janeiro ocupou a maior parte do tempo.
O caso de Deltan pode voltar para a pauta presencial da próxima terça (13) ou ser incluído em alguma sessão virtual, a critério do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques.
No vídeo divulgado nesta quinta, Deltan também reclama da liminar assinada por Floriano em 19 de setembro e que suspendeu a campanha do ex-procurador até julgamento definitivo do registro de candidatura.
Deltan também se refere ao ministro Floriano como "escolhido por Lula, amigo de Moraes, amigo de Toffoli", sugerindo que o magistrado esteja atuando de forma política.
O ex-procurador se inscreveu na disputa sob a sombra de uma decisão do TSE que não o considerou apto para as urnas de 2022.
Naquele julgamento, o TSE concluiu que Deltan teria antecipado seu pedido de exoneração do Ministério Público Federal no final de 2021 para evitar a instauração de um PAD, um processo administrativo disciplinar, cujo desdobramento poderia gerar alguma sanção.
Pela Lei da Ficha Limpa, membros do Ministério Público que forem aposentados por decisão sancionatória ou que tenham perdido o cargo por sentença são considerados inelegíveis pelo prazo de oito anos. O mesmo vale para aqueles membros que tenham pedido exoneração na pendência de processo administrativo disciplinar.
Ao se inscrever para a disputa deste ano, Deltan foi alvo de contestações na Justiça Eleitoral que apontam que ele está inelegível até 2029. O processo principal para tentar barrá-lo, e que agora chega ao plenário do TSE, foi movido pela coligação ao Governo do Paraná integrada pelo PT.
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