O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) será candidato ao Governo de Minas Gerais, afirmou o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, em entrevista à Folha. O senador já declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), mas a recíproca depende dos planos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), avalia o dirigente.
"O PL lá está dividido. Não foi definido. Dizem que é o Nikolas que vai decidir. E ele está muito mais alinhado ao Matheus [Simões], o atual vice."
Simões, que é do PSD, assumirá o governo em março, após a saída do atual governador, Romeu Zema (Novo), que mira a eleição à Presidência.
Cleitinho, por outro lado, poderá ficar oito anos no governo, até 2034. Isso, na avaliação do presidente do Republicanos, pode afetar os planos de Nikolas.
"O Matheus não poderá mais ser candidato se for governador, e aí abre a vaga pra ele, porque ele quer ser governador de Minas. Ao passo que, se for o Cleitinho, ele teria direito à reeleição, então ele [Nikolas] espera oito anos", disse na entrevista, na quarta-feira (25).
A candidatura de Simões, que vai apoiar Zema na corrida presidencial, pode impactar a votação de Flávio Bolsonaro em Minas, já que o candidato que detém a máquina do estado estaria fazendo campanha para um opositor.
Anotações de Flávio Bolsonaro indicam que o PL está descrente com a candidatura de Simões. Ao lado do nome do atual vice de MG leva a observação "me puxa para baixo".
Cleitinho havia pausado as negociações sobre sua candidatura no início de fevereiro, após seu irmão ser diagnosticado com leucemia, mas já diz a aliados que será candidato. Flávio e Cleitinho conversaram antes do Carnaval sobre a disputa em Minas, mas não houve definição de apoio. Os dois devem se reunir nas próximas semanas para debater o tema.
Em reunião com congressistas do PL na quarta-feira, Nikolas disse que era preciso haver união e trabalhar forte para eleger Flávio.
Já Lula (PT) busca o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para garantir um palanque no estado. O presidente se reuniu com o senador há duas semanas e reafirmou que ele seria a única opção no estado, mas Pacheco não comentou.
Em 2022, Lula ganhou em Minas com uma margem apertada, de apenas 0,4 pontos percentuais de diferença com Jair Bolsonaro. O presidente obteve 50,2% dos votos no estado, enquanto Bolsonaro registrou 49,8%.
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