Presidente nacional do PP, o senador Ciro Nogueira afirmou nesta segunda-feira (5) que irá defender dentro do seu partido o apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) neste segundo turno da disputa ao Planalto. Uma reunião com as lideranças do partido acontecerá nesta terça-feira (6).
Nogueira afirmou que não quer antecipar a decisão que caberá também aos demais correligionários, mas admitiu que sua própria posição é pelo "apoio total e irrestrito" ao candidato do PL.
"Todo mundo sabe. Votei no Flávio, tenho uma lealdade enorme ao presidente Bolsonaro", afirmou durante entrevista nesta segunda à TV Cidade Verde. No primeiro turno, o partido não lançou candidato próprio ao Planalto nem fez alianças formais.
Envolvido no escândalo do Banco Master, Nogueira não conseguiu se reeleger senador pelo Piauí neste domingo (4). A derrota do presidente do PP representa a quebra de uma sequência de quatro legislaturas.
Nogueira é o principal nome entre os envolvidos com o Master que perderam as eleições. O senador se referia a Daniel Vorcaro, dono do Master e hoje preso, como "grande amigo de vida".
A relação entre ele e Vorcaro era de "elevado grau de intimidade, confiança e proximidade", segundo a Polícia Federal, com registros que vão de hospedagens em hotéis de luxo na Europa a repasses milionários ao senador.
Em troca, Nogueira teria tentado beneficiar o Master a partir de sua atuação no Congresso. Em 2024, o parlamentar apresentou uma proposta que aumentaria a garantia de cobertura de correntistas no FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão em caso de liquidação da instituição financeira.
Os títulos podres vendidos pelo Master tinham como principal atrativo a garantia pelo FGC. A "emenda Master", uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), não avançou no Congresso.
Assim como Nogueira, Flávio Bolsonaro também está sendo investigado em razão do elo com Vorcaro, no âmbito de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) aberto a pedido da PF.
Em uma ligação, Flávio pede o equivalente a R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do seu pai, Jair Bolsonaro. A PF ainda apura se o destino do dinheiro era de fato a produção do filme e o que o ex-banqueiro ganharia com a transferência do dinheiro.
O presidenciável nega ter cometido crimes e tem dito que o acordo com o banqueiro foi de natureza estritamente privada.
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