A presença de Lionel Messi é visível em praticamente todos os cantos de Miami. Em lojas esportivas ou de departamentos, as camisas da Argentina e do Inter Miami com o nome do jogador dividem espaço nas vitrines, com mais evidência do que qualquer outra seleção que disputa a Copa do Mundo.
Nas ruas, murais e intervenções artísticas transformaram o rosto do argentino em parte da paisagem da cidade. Em outdoors e campanhas publicitárias, seu rosto é quase onipresente, assim como também não é incomum encontrar torcedores com camisas do 10 nas ruas e em pontos turísticos.
Miami, que nesta quarta-feira (24) será palco do duelo entre Brasil e Escócia pela última rodada da fase de grupos da Copa, vive um cenário curioso, em que o astro argentino está mais presente na cena urbana do que qualquer atleta brasileiro ou escocês.
Segundo informações fornecidas pelo Itamaraty a pedido da reportagem, cerca de 590 mil brasileiros vivem na Flórida, com concentração principal no sul do estado, especialmente na região metropolitana de Miami, onde estão entre 300 mil e 400 mil residentes. A presença se espalha ainda por condados como Broward e Palm Beach, além da região de Orlando, que concentra cerca de 200 mil brasileiros.
Mesmo com diferenças entre levantamentos locais e estimativas oficiais, o consulado afirmou que seus números refletem melhor a realidade ao cruzar registros consulares e a demanda de atendimento da comunidade brasileira no exterior.
Segundo o consulado, o perfil desse brasileiro também mudou nos últimos anos. Embora o turismo siga relevante, cresce a participação de empresários, executivos, estudantes e profissionais qualificados que utilizam o sul da Flórida como plataforma de negócios e internacionalização.
Esse peso também aparece nos dados da SelectFlorida, organização oficial de comércio internacional e atração de investimentos do estado da Flórida. O Brasil é hoje o principal parceiro comercial da Flórida, com um intercâmbio de US$ 27,5 bilhões (R$ 143 bilhões) em 2025. No turismo, mais de 1,3 milhão de brasileiros visitaram o estado no mesmo período, mantendo o país entre os principais emissores internacionais para a região.
A Argentina também aparece entre os principais mercados sul-americanos, mas em patamar inferior ao brasileiro em volume total de visitantes. Ainda assim, é um dos países que mais crescem em presença simbólica no sul da Flórida, impulsionado pela centralidade de Messi no imaginário esportivo da cidade.
Ainda assim, na leitura de quem acompanha de perto a transformação da cidade, não são apenas os números que explicam o momento. "O que mudou é a escala de atenção internacional. Miami deixou de ser só uma cidade com conexão global. Ela virou um palco global", diz Suzanne Amaducci, presidente da área de direito imobiliário da Bilzin Sumberg e assessora jurídica externa do Comitê Organizador da Copa do Mundo em Miami.
"Miami sempre foi uma cidade internacional, com conexões fortes com a América Latina e a Europa. Mas agora todos os olhos estão voltados para cá", afirmou. Para ela, o esporte acelerou um processo que já estava em curso: "O esporte em geral elevou a cidade. Miami virou destino global de tudo, F1, futebol, basquete universitário, grandes eventos. O Mundial só amplifica isso".
Dados da MLS (Major League Soccer) mostram que o Inter Miami vem registrando crescimento constante de público desde a chegada do argentino. A média em jogos em casa passou de cerca de 12,6 mil torcedores em 2022 para mais de 26,5 mil em 2026, praticamente o dobro em quatro anos.
Fora de casa, o efeito se repete. Partidas do Inter Miami passaram a ter estádios lotados em diferentes cidades dos Estados Unidos, com públicos que ultrapassam 70 mil pessoas contra equipes como Atlanta United, Chicago Fire e DC United -números que, em alguns casos, superam a capacidade média de arenas da NFL.
O WSJ também destaca que o Inter Miami se tornou a franquia mais valiosa da MLS após a chegada do argentino, com crescimento acelerado de receita, valorização de mercado e atração de público internacional, sobretudo de argentinos, que transformou Miami em um cenário de uma disputa simbólica entre brasileiros e argentinos para saber quem é mais evidente.
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