Após a ação da Polícia Militar que desocupou com uso de força a reitoria da USP (Universidade de São Paulo), alunos do internato da medicina decidiram paralisar os atendimentos médicos e atividades práticas no HC (Hospital das Clínicas) e no HU (Hospital Universitário) nesta segunda-feira (11).
Eles reivindicam as mesmas pautas dos demais estudantes, mas também protestam contra a precarização dos serviços de saúde da universidade. Nesta segunda, também ocorre paralisação de alunos, trabalhadores técnico-administrativos e docentes da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Em nota, o HC informou que a paralisação não provocou impacto na assistência aos pacientes do complexo. Procurados, a reitoria da USP e a direção do HU não responderam sobre a paralisação e o impacto nos atendimentos nem sobre as negociações para atender as demandas dos estudantes.
Eles pedem a contratação de mais profissionais da área da saúde para atuar no HU, que funciona dentro do campus central da universidade. Segundo eles, a unidade tem hoje uma defasagem de 500 profissionais, entre enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, entre outros.
Também pedem a reabertura dos leitos do hospital, que desde 2013 foram cortados quase pela metade. Naquele ano, a unidade oferecia cerca de 220 leitos. Hoje, são apenas 130. "Nesse período, o número de cirurgias feitas no HU caiu em 60%. É uma situação bem decadente, que prejudica a nossa formação, mas, sobretudo, o atendimento da comunidade."
Os internos do HC também aderiram à paralisação porque reivindicam o fim do programa Experiência HC, que cobra mensalidades acima de R$ 8.000 para que alunos de faculdades privadas possam estagiar no local. O programa foi lançado em 2024 com 600 vagas, mas hoje já oferta 2.000 vagas por ano.
"Os alunos da USP estão tendo que competir por espaço e para fazer as atividades práticas com estudantes de outras faculdades, que sequer passam por algum tipo de processo seletivo. A superlotação de estudantes também prejudica os pacientes. Antes, três alunos acompanhavam uma consulta. Agora, são até oito", conta Gabriela.
Nesta segunda, a reportagem acompanhou alguns setores do atendimento no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário. Os residentes de medicina, que atendem grande parte dos pacientes desses serviços, não entraram em greve e, com isto, o atendimento segue normal.
Alguns funcionários administrativos nem tinham ouvido falar da greve. Um residente médico do HC e uma técnica em enfermagem, na condição de anonimato, confirmaram que os residentes não entraram na greve. Foram os alunos da Faculdade de Medicina. A greve não atingiu os residentes do hospital, afirmou o médico.
A reportagem também ouviu funcionários da área administrativa dos dois hospitais, além de pacientes que aguardavam atendimento e outros que haviam acabado de ser atendidos. Eles confirmaram não ter percebido impactos ou falta de médicos.
"Eu vim na semana passada para realizar exames pré-operatórios e agora acabo de sair da consulta. Sou atendida há muito tempo aqui no HC e não notei nada nesse sentido. Também não ouvi ninguém reclamar que não foi atendido", disse a aposentada Lígia Nagy, 68.
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