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Alinhamento de cada prédio torto em Santos pode custar R$ 22 mi

Prédios tortos na orla de Santos (SP)

Alinhamento de cada prédio torto em Santos pode custar R$ 22 mi
Unicamp/Reprodução
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Realinhar prédios tortos de Santos, no litoral de São Paulo, teria um custo estimado entre R$ 7 milhões e R$ 22 milhões cada um, estima a Acopi (Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados).

Causado pelo solo arenoso e fundações insuficientes nas construções, o problema vem desde a década de 1950, quando a cidade da Baixada Santista vivenciou seu primeiro grande impulso imobiliário.

Ao todo, 319 edifícios apresentam alguma inclinação em Santos. Desses, 65 são casos mais acentuados (com até 2,2 graus) -dos quais 64 estão na orla. No momento, 37 estão associados à Acopi, que atua para ter mais adesões.

Fundada em 2024, a Acopi atua com apoio da prefeitura no objetivo de conseguir financiamento a longo prazo. O foco é o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que aguarda apresentação formal de projetos.

"Sabemos que há soluções em engenharia, mas a engenharia financeira é a complicada", afirma a presidente da Acopi, Eliana de Mello. "Apesar de os prédios inclinados serem quase um cartão postal, há a necessidade de tomarmos providências."

Monitorados pela prefeitura por meio do Pisa (Programa de Prédios Inclinados de Santos), os imóveis não oferecem riscos imediatos, conforme atestam inspeções e medições estruturais periódicas, mas os desafios são diários.

Um exemplo, segundo a presidente da Acopi, é o alto custo de manutenção dos elevadores. "Eu mesma moro no Condomínio Conjunto Tertúlia [bairro do Gonzaga], um dos prédios inclinados, onde sou síndica. Temos seis elevadores em cada uma das duas torres e a manutenção mensal dos equipamentos chega a R$ 12 mil."

"Elevador foi criado para andar verticalmente, não inclinado. Com certeza o custo de manutenção seria menor se não houvesse o problema e nem sequer precisaria ser mensal", acrescenta. Como consequência, o condomínio também fica mais caro. "No nosso caso, é de R$ 2.000 por mês."

Gavetas que abrem sozinhas e dificuldades para escorrer água até os ralos são outros episódios que fazem parte da rotina dos moradores. Reuniões com eles ocorrem desde 2024, e uma nova rodada está confirmada para 11 de junho, às 19h, na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos.

Uma das técnicas foi a implantação de estrutura secundária externa com estacas de concreto nas laterais do bloco A e profundidade de 56 metros. O custo total na época foi de R$ 1,5 milhão (cerca de R$ 90 mil para cada apartamento).

"Cada prédio é um caso: há largos, estreitos, com muitos andares, com poucos pilares. São variáveis que entram na solução final", diz Pimenta.

Problema histórico

Diretor de relações institucionais da associação, Fernando Borelli explica que o reaprumo ocorre sem que os moradores precisem deixar os apartamentos. "Sabemos que as técnicas para esse serviço, que incluem uso de macacos hidráulicos, estão avançadas."

Questionado se não valeria mais a pena demolir e construir um novo no mesmo local, Borelli concorda que a resposta pode ser "sim", mas que tal medida precisa contar com 100% de aprovação dos condôminos.

Em nota, o BNDES informa que "aguarda a apresentação formal de projetos pela Prefeitura de Santos conforme as regras do banco para apoio a municípios".

Afirma, ainda, que o ente público (prefeitura) deverá detalhar, entre outros itens, "o projeto de engenharia (para obras civis), orçamento, cronograma físico-financeiro e aspectos jurídicos como regularidade fundiária e licenciamento ambiental".

Paralelamente, o BNDES financiará R$ 200 milhões para Santos investir em adaptações às mudanças climáticas. Na prática, o dinheiro será usado em obras de combate ao avanço do mar, redução de alagamentos e proteção da orla.

FONTE/CRÉDITOS: Jcnet (Por João Pedro Feza | da Folhapress)
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