Uma médica de plantão no período noturno da UBS Mary Dota, em Bauru, se recusou a atender pacientes usando como justificativa o atraso do salário. O caso acontece na noite desta quinta-feira (28). Conforme o JC noticiou no início da semana, profissionais da saúde ameaçaram suspender os atendimentos caso não fossem pagos até essa sexta-feira (29). Eles têm salários pendentes com a Organização Social (OS) Mahatma Gandhi. O vereador Júnior Rodrigues está no local e acompanha o caso.
Após a publicação desta matéria, a Prefeitura de Bauru emitiu uma nota de posicionamento. No texto, o Executivo municipal esclarece ter recebido um ofício da Justiça determinando que o contrato com a OS não poderia ser interrompido. A nota também lamenta a atitude da médica e afirma que aguarda autorização judicial para fazer os pagamentos diretamente aos profissionais (veja detalhes abaixo).
De acordo com o Júnior Rodrigues, a equipe de enfermagem trabalha normalmente, mas a plantonista decidiu suspender os atendimentos após receber 15 pacientes. Outras pessoas que aguardavam na fila só foram informadas de que não seriam atendidas após 2 horas de espera. Alguns já desistiram e deixaram o local.
A denúncia chegou ao vereador por conta de uma mãe que buscava atendimento para sua filha. A menina necessita de medicamento especial e precisa de uma receita, mas a médica se recusou a atendê-la.
A mãe também relatou que está tentando levar sua filha ao consultório há 3 dias, mas sem sucesso. Como trabalha no horário comercial, ela só pode acompanhar a jovem no período noturno.
O caso é mais um episódio envolvendo a OS Mahatma Gandhi. Os médicos e dentistas contratados pela organização deveriam ter recebido o pagamento no dia 10 deste mês, mas não receberam. Alguns profissionais já rescindiram o contrato por conta dos atrasos.
A organização é alvo de uma operação do Ministério Público que investiga um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Na segunda-feira (25), o JCNET procurou a FVS Administração e Gestão Judicial, nomeada como interventora judicial na OS, para se pronunciar sobre o atraso, mas não recebeu resposta até o momento.
“Se a empresa for agir assim e tratar a cidade de Bauru como um lixo, então temos que romper com essa empresa e passar para uma outra empresa o serviço”, destaca o vereador.
A Prefeitura de Bauru informa que recebeu um ofício da Justiça determinando que não seja interrompido o contrato com a Organização Social (OS) Mahatma Gandhi pelos próximos 30 dias, a fim de garantir a continuidade dos atendimentos à população.
Na última segunda-feira (25), um dos interventores da OS procurou a prefeitura informando que as contas da entidade estavam bloqueadas e que enviaria um ofício ao município para discutir a possibilidade de pagamentos diretos aos médicos. Até o momento, a prefeitura aguarda essa formalização.
Durante esse período determinado pela Justiça, a administração municipal aguarda a formalização, por parte dos interventores, da real situação da entidade, para que sejam tomadas as medidas jurídicas cabíveis.
Em Bauru, a OS Mahatma Gandhi é responsável pela gestão das equipes médicas e de enfermagem em quatro Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com horário estendido. Importante esclarecer que a OS não atua nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
O governo municipal também esclarece que, em caso de paralisação por parte dos funcionários da OS, não haverá impacto no atendimento no horário convencional das unidades de saúde, uma vez que a atuação da organização ocorre apenas no período das 19h às 23h de segunda a sexta-feira, ou seja, no horário estendido após a troca de turno, e aos sábados das 8h às 18h.
Caso seja confirmada a inviabilidade da continuidade da empresa, a prefeitura adotará as providências legais necessárias para eventual rescisão contratual, seguindo os trâmites previstos em lei.
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