Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se mobilizaram para declarar apoio à caminhada liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que saiu na última segunda-feira (19) da cidade de Paracatu, em Minas Gerais, em direção a Brasília.
Nikolas anunciou que vai caminhar por cerca de 240 km em protesto contra as condenações pela tentativa de golpe de Estado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A expectativa é que o grupo chegue a Brasília no domingo (25).
O atual pré-candidato à Presidência do grupo, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não compareceu em função de uma viagem marcada para Israel, mas se manifestou por meio de uma ligação para Nikolas e os deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e André Ferreira (PL-CE), que acompanham a caminhada.
O pré-candidato não citou o STF durante o vídeo, o que dialoga com a postura recente de Michelle Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama reuniu-se com o ministro Alexandre de Moraes para pedir melhores condições para o marido, preso por tentativa de golpe de Estado. Após a conversa, Bolsonaro foi transferido na semana passada para a unidade conhecida como Papudinha.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também se manifestou por vídeo. "É uma boa resposta para dizer que ninguém está virando as costas para os presos políticos", disse o ex-parlamentar, que está nos Estados Unidos desde o ano passado e por isso perdeu o mandato.
No ano passado, Nikolas e o clã Bolsonaro tiveram episódios de tensão e discussões públicas. Eduardo avaliava que o deputado não estaria se posicionando a contento em defesa do trabalho que ele fazia por sanções a Moraes nos Estados Unidos. Eduardo criticou o parlamentar publicamente e os dois fizeram as pazes depois.
Eduardo é réu acusado de coação no curso do processo que investigou o golpe de Estado, por ter articulado sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras para tentar influenciar o julgamento de seu pai.
Pré-candidato ao Senado em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL-SC) juntou-se pessoalmente ao movimento na terça-feira (20) representando o clã, após pedidos de Eduardo e Flávio Bolsonaro.
O vídeo com a justificativa de Carlos foi republicado nas redes do PL Nacional, que está acompanhando e divulgando a manifestação.
Para o deputado federal Carlos Jordy (PL-SP), vice-líder da Minoria na Câmara dos Deputados, o apoio do clã Bolsonaro "é muito simbólico" e demonstraria que o grupo está no caminho certo. "Tudo isso só está acontecendo por conta do presidente Bolsonaro, porque foi ele que deu início a todo esse movimento da direita no nosso país." Ele também se juntou à caminhada na tarde de terça-feira.
O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, disse que "toda manifestação individual ou coletiva para demonstrar as fragilidades da democracia relativa são válidas".
Já o deputado Rogério Correia (PT-MG) definiu o protesto como "a caminhada da mentira e do golpe". "É a tese do golpe continuada, é sempre criar algum clima para inverter as decisões democráticas, inclusive da Justiça brasileira, achando que com isso vai colocar Bolsonaro em liberdade".
Em carta que justifica a caminhada, Nikolas fala em "desumanização dos brasileiros presos após o dia 8" e "perseguição sistemática a opositores políticos, entre eles Jair Bolsonaro".
Ele também não cita o STF diretamente, apesar de apontar ações ligadas ao tribunal. O deputado aponta a derrubada do veto ao PL da Dosimetria, que previa a redução de penas dos condenados pelo 8 de Janeiro, como uma das demandas do movimento.
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